O vento sacudindo as árvores, as folhas iluminadas pelo sol, os raios dando vida a tudo, o rio correndo, dando vida também; um pássaro passa na água, pousa na sombra; a sombra acolhe a família.
A pequena menina canta para a irmã, que repousa no colo do pai; a mãe toca violão. A canção deu nome à bebê de um ano de idade; vestiu-lhe bem, um belíssimo nome. A mais velha, de dez anos, adora a canção. Cantou para a irmã, quando esta estava na barriga - a menina quem fazia a mãe dormir com canto - e prometeu cantar por toda a vida, mesmo quando estivessem velhinhas - promessa de uma linda história de amor e amizade.
A música soa no ar, por cinco vezes; algumas outras belas melodias decoram uma linda tarde. A menina não é muito afinada, mas a cena toda é linda.
Uma voz sai da janela branca. Era a avó, ou uma tia, talvez uma amiga. O bolo está pronto. Será saboreado com suco de laranja. Depois terá mais música, brincadeiras, alegria. Os primos ainda estão para chegar. Um glorioso final de semana.
A música: Iris
Iris, olhando as penas coloridas dos concrises
Dos sabiás, dos rouxinóis e das perdizes
Lembrei de ti, oh, linda iris
Será que somos dois eterno aprendizes
O amor se planta e ganha a força das raízes
Oh, Iris
Quando vieres caçaremos arco-iris
E borboletas para tu de distraires
E só importa que eu delire e tu delires
Oh, Iris
(Alceu Valença)
http://www.youtube.com/watch?v=o-YQfxKGihs
quarta-feira, 27 de julho de 2011
quarta-feira, 4 de maio de 2011
moça da rosa / Carta
Um rosto extranatural
Efeito das rosas na janela
Catarsia-se no aroma elemental
A broche engrandece a aura amarela
Aparata o cabelo com flores do campo
Adorna-o pra agradar as rosas
A voz da rosa elogia o vestido de trapo
Tamborila no livro de poesia e canta cantigas
Beleza de semideusa
Num espelho admira-se ao amanhecer
Olhos de pérolas com ar de princesa
Matizados pelo sol pra um arco-íris florescer
De tarde passeia seu charme inato
A favorita dos moços do pequeno vilarejo
Ilusões escandecentes no pensamento
Faz ventar num demoroso caminhar que precede um lampejo
De noite saboreia um delicioso caramelo
As estrelas juram para sempre lhe amar
Pontual, repousa num sono singelo
Na teia dos sonhos banha-se no mar
=====================================
Uma carta contém vários significados
Sonhos esquecidos e sonhos vivos
Uma carta revela mistérios
Mensagens, boas novas
Segredos ocultos
Desejos revelados
Um pedaço de papel mal escrito
Um punhado de tinta bem desenhada
Na ponta da pena, na caneta
Amores perdidos, encantos achados
Esperança e descrédito
Carta romântica, carta amiga
Carta de encontro e de despedida
Resistindo à modernidade
A corte ainda transporta vidas inteiras
No papel, no toque
Guardado no armário
No caderno, na gaveta
No coração e na alma
Efeito das rosas na janela
Catarsia-se no aroma elemental
A broche engrandece a aura amarela
Aparata o cabelo com flores do campo
Adorna-o pra agradar as rosas
A voz da rosa elogia o vestido de trapo
Tamborila no livro de poesia e canta cantigas
Beleza de semideusa
Num espelho admira-se ao amanhecer
Olhos de pérolas com ar de princesa
Matizados pelo sol pra um arco-íris florescer
De tarde passeia seu charme inato
A favorita dos moços do pequeno vilarejo
Ilusões escandecentes no pensamento
Faz ventar num demoroso caminhar que precede um lampejo
De noite saboreia um delicioso caramelo
As estrelas juram para sempre lhe amar
Pontual, repousa num sono singelo
Na teia dos sonhos banha-se no mar
=====================================
Uma carta contém vários significados
Sonhos esquecidos e sonhos vivos
Uma carta revela mistérios
Mensagens, boas novas
Segredos ocultos
Desejos revelados
Um pedaço de papel mal escrito
Um punhado de tinta bem desenhada
Na ponta da pena, na caneta
Amores perdidos, encantos achados
Esperança e descrédito
Carta romântica, carta amiga
Carta de encontro e de despedida
Resistindo à modernidade
A corte ainda transporta vidas inteiras
No papel, no toque
Guardado no armário
No caderno, na gaveta
No coração e na alma
segunda-feira, 2 de maio de 2011
O tempo que passa
Vejo o vento que leva
Ouço o tempo que traz
Fito a noite que morre
Flerto o dia que cai
A roda louca enrosca meu andar
Um navegar marasmático
Na cadência de uma leve brisa
Os senhores do ar não têm pressa
Cada dia é uma versão acústica
Um acorde suave e pesado
Lento como um chumbo dourado
Cada raio solar é uma lanterna
Iluminando caminhos neste eterno apagão
Toda fogueira é vagalume
Repousa admirando as estrelas
Todo momento é mistério
O espaço é minha estrela guia
Semeia ilusões
Povoa meus sonhos
Vejo o tempo que passa
Ouço o vento que morre
Dia e noite se anulam
Num suicídio mútuo
Ouço o tempo que traz
Fito a noite que morre
Flerto o dia que cai
A roda louca enrosca meu andar
Um navegar marasmático
Na cadência de uma leve brisa
Os senhores do ar não têm pressa
Cada dia é uma versão acústica
Um acorde suave e pesado
Lento como um chumbo dourado
Cada raio solar é uma lanterna
Iluminando caminhos neste eterno apagão
Toda fogueira é vagalume
Repousa admirando as estrelas
Todo momento é mistério
O espaço é minha estrela guia
Semeia ilusões
Povoa meus sonhos
Vejo o tempo que passa
Ouço o vento que morre
Dia e noite se anulam
Num suicídio mútuo
Choro de Gaia
Escuto Gaia que chora
Agoniza, definha rapidamente
Já sem o brilho doutrota
Falecerá repentinamente
Veias cheias de lixo
A pele devastada
O corpo murcho
A energia atordoada
Câncer por todo canto
Seus filhos, podres células
Não há cura, magia ou encanto
Não há fórmula para curá-las
Um ciclo chega ao fim
É preciso morrer para nascer
Arcanjo, Virtude, Seres de Luz, Serafim
Arquitetos do novo amanhecer
Colhendo, separando o joio do trigo
Aqueles que contra a maré navegam
Anelam o esplendor de um tempo antigo
Trabalham as chaves que lhes entregam
Caos, tragédia, selvageria, desespero
O homem cada vez mais animalesco
Instinto cada vez mais mortífero
Um cenário dantesco
Tempo de fogo e treva
Como anunciou cada profeta
Tristeza o futuro nos reserva
Logo a história estará completa
Agoniza, definha rapidamente
Já sem o brilho doutrota
Falecerá repentinamente
Veias cheias de lixo
A pele devastada
O corpo murcho
A energia atordoada
Câncer por todo canto
Seus filhos, podres células
Não há cura, magia ou encanto
Não há fórmula para curá-las
Um ciclo chega ao fim
É preciso morrer para nascer
Arcanjo, Virtude, Seres de Luz, Serafim
Arquitetos do novo amanhecer
Colhendo, separando o joio do trigo
Aqueles que contra a maré navegam
Anelam o esplendor de um tempo antigo
Trabalham as chaves que lhes entregam
Caos, tragédia, selvageria, desespero
O homem cada vez mais animalesco
Instinto cada vez mais mortífero
Um cenário dantesco
Tempo de fogo e treva
Como anunciou cada profeta
Tristeza o futuro nos reserva
Logo a história estará completa
Carta para Lelê
Querida Lelê,
hoje é sexta-feira, a última de abril de 2011. Este ano parecia tão distante e agora estou nele. O tempo fica mais veloz; talvez sua idade não lhe permita compreender. Por muito esperei este ano e nada ocorreu como desejei.
Espero que esta seja a primeira de muitas cartas; poderá se acostumar com meus garranchos, erros e citações.
"Faz um tempo, eu aguardava tudo para um dia especial, distante. Fui ficando mais calado e mudo até sacar que o futuro é uma meta flutuante".
A gente sempre lê, ouve que devemos viver o presente; a teoria não costuma estar em sintonia com a prática. Vivendo e aprendendo.
Deitado em minha cama, escuto rádio e observo a paisagem. Não tenho vista pro mar, nem pras montanhas, nem pra uma bela cidade. Há um basculante e duas janelas que mal posso ver, nunca se abrem e estão sempre iluminadas; duas antenas e dois ferros retorcidos; algumas plantas, muito concreto e um pedacinho do céu.
Gosto de observar nuvens deslizando no azul do dia e no escuro da noite, mas hoje não há vento pra fazer dançar as nuvens e as plantas. Nem a chuva veio. Adoro ouvir o barulho da chuva, vê-la caindo; é como se preenchesse o seco tédio que às vezes veste minha existência.
O frio chegou nesta semana. No primeiro dia me recusei a usar casaco, não quis aceitar que o verão tinha ido embora, como uma mão não aceita a morte de um filho.
Meu coração está inquieto. Vejo uma sombra se aproximar, o futuro é incerto e meu espírito carece de força de vontade. Também há luz e esperança; ainda que frágeis, permaneço firme nelas.
Talvez não saiba sobre o que falo. O importante é que pude ocupar um pouco do tempo nesta noite de tédio; você proporcionou uma pequena alegria.
Espero ter resposta tua, notícias de tua terra distante, de teu estudo e de teu lindo coração que reflete na Bahia.
Que a luz esteja sempre com você.
Saudades, de seu amigo
Rui Felipe
"me interessa o que não foi impresso e continua sendo escrito a mão"
hoje é sexta-feira, a última de abril de 2011. Este ano parecia tão distante e agora estou nele. O tempo fica mais veloz; talvez sua idade não lhe permita compreender. Por muito esperei este ano e nada ocorreu como desejei.
Espero que esta seja a primeira de muitas cartas; poderá se acostumar com meus garranchos, erros e citações.
"Faz um tempo, eu aguardava tudo para um dia especial, distante. Fui ficando mais calado e mudo até sacar que o futuro é uma meta flutuante".
A gente sempre lê, ouve que devemos viver o presente; a teoria não costuma estar em sintonia com a prática. Vivendo e aprendendo.
Deitado em minha cama, escuto rádio e observo a paisagem. Não tenho vista pro mar, nem pras montanhas, nem pra uma bela cidade. Há um basculante e duas janelas que mal posso ver, nunca se abrem e estão sempre iluminadas; duas antenas e dois ferros retorcidos; algumas plantas, muito concreto e um pedacinho do céu.
Gosto de observar nuvens deslizando no azul do dia e no escuro da noite, mas hoje não há vento pra fazer dançar as nuvens e as plantas. Nem a chuva veio. Adoro ouvir o barulho da chuva, vê-la caindo; é como se preenchesse o seco tédio que às vezes veste minha existência.
O frio chegou nesta semana. No primeiro dia me recusei a usar casaco, não quis aceitar que o verão tinha ido embora, como uma mão não aceita a morte de um filho.
Meu coração está inquieto. Vejo uma sombra se aproximar, o futuro é incerto e meu espírito carece de força de vontade. Também há luz e esperança; ainda que frágeis, permaneço firme nelas.
Talvez não saiba sobre o que falo. O importante é que pude ocupar um pouco do tempo nesta noite de tédio; você proporcionou uma pequena alegria.
Espero ter resposta tua, notícias de tua terra distante, de teu estudo e de teu lindo coração que reflete na Bahia.
Que a luz esteja sempre com você.
Saudades, de seu amigo
Rui Felipe
"me interessa o que não foi impresso e continua sendo escrito a mão"
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Pássaro de Cristal / Chuva Ácida
Sonhei um beija-flor de cristal
Uma luz azulada dava o tom de sonho
Voava sobre florestas encantadas
Saudando seres mágicos
Gnomos, Ondinas, Salamandras, Silfos, Elfos e Fadas
Tão veloz que o vento se sentiu lento
Tão bonito que o céu azul se sentiu cinza
Tão majestoso que um anjo veio reverência-lo
Tornava divino o ar que tocava seu rosto
Cristal nunca visto no mundo dos homens
Luz azul irradiava do coração do beija-flor
Lindo sonho azul
Além do tempo e do espaço
Sonhei um ser precioso
-------------------------------------------
Chuva que sempre lava, agora suja
Ou então, retira a capa que cobria a sujeira
O fato é que há um vazio na medida do universo
No peito um buraco negro que suga toda luz
E lança num local inalcançável do espaço
Restando a mais profunda ausência de luz
Cada gota é ácida
O corpo converte toda a dor no coração
E coloca uma tranca pra que ele não possa ser arrancado
Tortura trágica
O tempo é uma eternidade
Eis o outro lado da balança
Uma luz azulada dava o tom de sonho
Voava sobre florestas encantadas
Saudando seres mágicos
Gnomos, Ondinas, Salamandras, Silfos, Elfos e Fadas
Tão veloz que o vento se sentiu lento
Tão bonito que o céu azul se sentiu cinza
Tão majestoso que um anjo veio reverência-lo
Tornava divino o ar que tocava seu rosto
Cristal nunca visto no mundo dos homens
Luz azul irradiava do coração do beija-flor
Lindo sonho azul
Além do tempo e do espaço
Sonhei um ser precioso
-------------------------------------------
Chuva que sempre lava, agora suja
Ou então, retira a capa que cobria a sujeira
O fato é que há um vazio na medida do universo
No peito um buraco negro que suga toda luz
E lança num local inalcançável do espaço
Restando a mais profunda ausência de luz
Cada gota é ácida
O corpo converte toda a dor no coração
E coloca uma tranca pra que ele não possa ser arrancado
Tortura trágica
O tempo é uma eternidade
Eis o outro lado da balança
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Beijos Urbanos
Vi seus olhos brilhantes
Eu vi!
Seu andar saltitante traz embutido uma pena
Balança pedindo pra chuva cair
Dedos nos dedos e eu posso voar
Um beijo apaixonado
Noite azul
Um beijo azul
E seus olhos brilharam
Entre paredes cinzas
Beijos Urbanos
Seus olhos brilharam para mim
O paraiso é aqui
Caminhar dançante na nossa chuva imaginária
Olhos de luz
Abraços bem dados
Falta de ar
Beijos de amor
Eu vi!
Seu andar saltitante traz embutido uma pena
Balança pedindo pra chuva cair
Dedos nos dedos e eu posso voar
Um beijo apaixonado
Noite azul
Um beijo azul
E seus olhos brilharam
Entre paredes cinzas
Beijos Urbanos
Seus olhos brilharam para mim
O paraiso é aqui
Caminhar dançante na nossa chuva imaginária
Olhos de luz
Abraços bem dados
Falta de ar
Beijos de amor
sábado, 18 de dezembro de 2010
Cerveja e Poesia!
Raios dourados do Sol transpassam a cerveja dourada
Cerveja cor de Sol, fim de tarde, calor
Sua pele dourada pelo Sol canaliza meu querer
Sua pela branca branqueia meu penar
Lágrima branca percorrer a face rosa e deságua em meu peito
Onde sensações novas alvoroçam
Lágrima torna o brilho do seu olhar cristal-dourado
Presença que faz minha tarde dourada
Minha alma tem calor, arde em chamas
Nunca vi borboletas no estômago
Mas agora sinto chamas no peito
Terreno virgem, inexplorado
Sensações inéditas
Tristeza e alegria se confundem
Enroscam-se na paz dourada que ela me proporciona
Observo sua pela branca-rosa-dourada
O Sol sorri ao ver minha paz dourada
Calor colori o fim de tarde, colori a cerveja dourada
Meu peito chora seu choro
A emoção censurada é azul-dourado
Sou alegria simplesmente por estar ao seu lado
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Pedra
Rui - BOM DIA SOL diz:
*mell mell mell
Mellissa Adeus aos : pseudo-amores, pseudo-amizades, esses pseudo-sentimentos diz:
*bom diaa
Rui - BOM DIA SOL diz:
*bomm rs
Rui - BOM DIA SOL diz:
*esse coração de pedra é o seu??
Mellissa Adeus aos : pseudo-amores, pseudo-amizades, esses pseudo-sentimentos diz:
*simm
Mellissa Adeus aos : pseudo-amores, pseudo-amizades, esses pseudo-sentimentos diz:
*bonito ele não ?
Mellissa Adeus aos : pseudo-amores, pseudo-amizades, esses pseudo-sentimentos diz:
*:D
Rui - BOM DIA SOL diz:
*lindooooooo
como vc conseguiu??
ensina pra mim rs
Rui - BOM DIA SOL diz:
*qual a formula?
Mellissa Adeus aos : pseudo-amores, pseudo-amizades, esses pseudo-sentimentos diz:
*rsrs
Rui - BOM DIA SOL diz:
*dizzzzzzzzzzz
Mellissa Adeus aos : pseudo-amores, pseudo-amizades, esses pseudo-sentimentos diz:
*chore um oceano inteiro, até esvaziar, após isso desacredite da humanidade, desconfie até de si
Mellissa Adeus aos : pseudo-amores, pseudo-amizades, esses pseudo-sentimentos diz:
*após isso
Mellissa Adeus aos : pseudo-amores, pseudo-amizades, esses pseudo-sentimentos diz:
*jogue fora
Mellissa Adeus aos : pseudo-amores, pseudo-amizades, esses pseudo-sentimentos diz:
*tds as ilusões que porventura
Mellissa Adeus aos : pseudo-amores, pseudo-amizades, esses pseudo-sentimentos diz:
*tinhas
Mellissa Adeus aos : pseudo-amores, pseudo-amizades, esses pseudo-sentimentos diz:
*e eis q ganhrás um lindo s2
Rui - BOM DIA SOL diz:
*anotado
"Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor"
Chico Buarque de Hollanda
Espelho da alma
espelho da alma
ao ver o meu reflexo
estampado no espelho
sinto falta do que outrora
ali eu enxerguei
e agora, o que reflete ?
senão olhos tristes e vazios
a espera , mas de que ?
não sei definir
o que a esperança
ainda teima em perseguir
e que veloz como o tempo
escapa
não há mais rima e poesia
não há mais nada
senão um s2 que bate
e incapaz de faze-lo parar
sobrevivo
sobre-vivo
apenas um verbo
cuja ação
traz mais dores
que a renúncia
de viver
( Mellissa Victória)
ao ver o meu reflexo
estampado no espelho
sinto falta do que outrora
ali eu enxerguei
e agora, o que reflete ?
senão olhos tristes e vazios
a espera , mas de que ?
não sei definir
o que a esperança
ainda teima em perseguir
e que veloz como o tempo
escapa
não há mais rima e poesia
não há mais nada
senão um s2 que bate
e incapaz de faze-lo parar
sobrevivo
sobre-vivo
apenas um verbo
cuja ação
traz mais dores
que a renúncia
de viver
( Mellissa Victória)
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Oração ao Sol
Grande espírito,
Cujo voz ouço nos ventos
E cujo alento da vida a todo mundo, ouça-me!
Sou pequeno e fraco,
Necessito de sua força e sabedoria.
Deixa-me andar em beleza
E faça com que meus olhos possam sempre
contemplar o vermelho e o púrpura do pôr-do-sol.
Faz com que minhas mãos respeitem tudo o que fizeste
E que meus ouvidos sejam aguçados para ouvir a tua voz.
Faz-me sábio para que eu possa compreender
as coisas que ensinaste ao meu povo.
Deixa-me aprender as lições que
escondeste em cada folha, em cada rocha.
Busco força não para ser maior que meu irmão
mas para lutar contra meu maior inimigo - eu mesmo.
Faz-me sempre pronto para chegar a ti com as mãos limpas e o olhar firme,
a fim de que, quando a vida apagar, como se apaga o poente,
Meu espírito possa estar contigo sem se envergonhar.
Povo Tupinambá - Séc. XVI
domingo, 24 de outubro de 2010
Lamentos
Ele apenas espera pelo fim.
De todas as alegrias e tristezas, glórias e tragédias, nada restará; de todas ideologias, bandeiras, religiões, políticas, não sobrará, nem pó. O tempo traga tudo e cada um de nós vira apenas uma lembrança na memória da natureza que guarda tudo; a maior biblioteca do mundo.
Ele apenas vive sua vidinha, batalha seus planos, aproveita seus pequenos prazeres; até sonha com velhas ideologias, mesmo sabendo que nada restará.
Pouco faz por si, pouco trabalha no que realmente importa, cotidianamente perde pra sua preguiça, sua mente inquieta lhe aplica terriveis golpes; pouco lapida sua alma incrostada de tantos desejos, de tantos males; pouco faz pra luz brilhar em si.
Sua alma cobra, os deuses cobravam, mandam sinais, enviam ultimatos; ele fica angustiado, confuso, apreensivo; vê a grande tragédia se aproximar e pouca faz, não consegue se libertar da sua própria tragédia pessoal. De vontade fraca, imerso nos problemas cotidianos, pouco faz.
Fica perdido entre tantos avisos, desejos, sinais, vontades, intuição, amor, cobranças e medos.
Ele quer a paz completa, mas a vida é um caos, sua mente é um caos, sua alma é um caos, a terra é um caos.
Ele vê tudo acontecer e pouco consegue fazer. Ora com a fé que tem, pede ajuda, mas sua força é fraca, as orações não chegam como deveriam; sua percepção é turva e não consegue compreender a ajuda que chega.
Sua alma lamenta, chora e ele pouco faz.
De todas as alegrias e tristezas, glórias e tragédias, nada restará; de todas ideologias, bandeiras, religiões, políticas, não sobrará, nem pó. O tempo traga tudo e cada um de nós vira apenas uma lembrança na memória da natureza que guarda tudo; a maior biblioteca do mundo.
Ele apenas vive sua vidinha, batalha seus planos, aproveita seus pequenos prazeres; até sonha com velhas ideologias, mesmo sabendo que nada restará.
Pouco faz por si, pouco trabalha no que realmente importa, cotidianamente perde pra sua preguiça, sua mente inquieta lhe aplica terriveis golpes; pouco lapida sua alma incrostada de tantos desejos, de tantos males; pouco faz pra luz brilhar em si.
Sua alma cobra, os deuses cobravam, mandam sinais, enviam ultimatos; ele fica angustiado, confuso, apreensivo; vê a grande tragédia se aproximar e pouca faz, não consegue se libertar da sua própria tragédia pessoal. De vontade fraca, imerso nos problemas cotidianos, pouco faz.
Fica perdido entre tantos avisos, desejos, sinais, vontades, intuição, amor, cobranças e medos.
Ele quer a paz completa, mas a vida é um caos, sua mente é um caos, sua alma é um caos, a terra é um caos.
Ele vê tudo acontecer e pouco consegue fazer. Ora com a fé que tem, pede ajuda, mas sua força é fraca, as orações não chegam como deveriam; sua percepção é turva e não consegue compreender a ajuda que chega.
Sua alma lamenta, chora e ele pouco faz.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
No encanto da flauta
Tenho um brilho bom nos olhos
Um brilho novo
Não mais um brilho de fogo, vermelho da paixão
Mas um brilho de paz, azul do amor celestial
Sua alma toca uma flauta transversal
Sem saber me hipnotiza
Sou uma serpente numa dança indiana
Presa nas doces melodias
Que flutuam e tocam o infinito
Vejo flores em qualquer canto, qualquer concreto
Azul no céu cinza
Busco na lembrança
Seu riso espontâneo
Seu piscar de olho encantador
Sua voz que veste meu ouvido como uma luva
Sua face séria
Nessas lembraças ganho força pra um dia cansado
Calor pra uma tarde ensolarada e fria de setembro
Essa é minha medicina alternativa
Minha vitamina diária
Imagino, penso, viajo, fantasio
Nas flores que ainda não mandei
Nas cartas e poemas que não escrevi
Nas declarações que não fiz
Em qual presente ainda vou dar
Talvez um par de brincos, um livro, um cd
Ou qualquer coisa excêntrica
Um artefato gracioso do oriente que toque sua alma
Um sino
Sua presença é um pedacinho do céu
Onde posso repousar
Tirar curtas férias do tormento do mundo
Experimentar minutos de paz
Um brilho novo
Não mais um brilho de fogo, vermelho da paixão
Mas um brilho de paz, azul do amor celestial
Sua alma toca uma flauta transversal
Sem saber me hipnotiza
Sou uma serpente numa dança indiana
Presa nas doces melodias
Que flutuam e tocam o infinito
Vejo flores em qualquer canto, qualquer concreto
Azul no céu cinza
Busco na lembrança
Seu riso espontâneo
Seu piscar de olho encantador
Sua voz que veste meu ouvido como uma luva
Sua face séria
Nessas lembraças ganho força pra um dia cansado
Calor pra uma tarde ensolarada e fria de setembro
Essa é minha medicina alternativa
Minha vitamina diária
Imagino, penso, viajo, fantasio
Nas flores que ainda não mandei
Nas cartas e poemas que não escrevi
Nas declarações que não fiz
Em qual presente ainda vou dar
Talvez um par de brincos, um livro, um cd
Ou qualquer coisa excêntrica
Um artefato gracioso do oriente que toque sua alma
Um sino
Sua presença é um pedacinho do céu
Onde posso repousar
Tirar curtas férias do tormento do mundo
Experimentar minutos de paz
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Por entre caminhos tortos
a carne é fraca, o coração mais ainda
passos apressados e a vida quase perdida
é no final dos tempos que encontramos contratempo
jogos corridos praticados em qualquer campo
no apego dos desejos é que vamos errando
pecados por dentro acelaradamente queimando
qual dos sete males você mais recrimina
pratica internamente e externamente abomina?
onde o desejo desafina com a vontade
em qual de suas faces encontramos a verdade?
acorrentados, iludidos no que se chama modernidade
confundimos capricho com simples necessidade
turbilhões de quereres nos tiram toda clareza
perdemos o que poderia vir a ser uma fortaleza
e vamos levando a vida pra frente
até que a morte nos brinde de repente
nada resta além das virtudes, dos tesouros da alma
além dos jogos deste mundo é o que pode propocionar verdadeira calma
passos apressados e a vida quase perdida
é no final dos tempos que encontramos contratempo
jogos corridos praticados em qualquer campo
no apego dos desejos é que vamos errando
pecados por dentro acelaradamente queimando
qual dos sete males você mais recrimina
pratica internamente e externamente abomina?
onde o desejo desafina com a vontade
em qual de suas faces encontramos a verdade?
acorrentados, iludidos no que se chama modernidade
confundimos capricho com simples necessidade
turbilhões de quereres nos tiram toda clareza
perdemos o que poderia vir a ser uma fortaleza
e vamos levando a vida pra frente
até que a morte nos brinde de repente
nada resta além das virtudes, dos tesouros da alma
além dos jogos deste mundo é o que pode propocionar verdadeira calma
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Ao modo antigo
sou uma menina ao modo antigo, daquelas românticas
que escrevem sonhos no caderno e segredos em cartas
que acreditam em amores verdadeiros e sinceros
daquelas que esperam no porto o marinheiro fiel
que fazem crochê para alguém especial
que preparam doces com carinho
que sorriem felizes debruçadas na janela
sou do tipo raro, do tipo passado
daquelas que acreditam em filhos e netos, em família feliz
que usam vestidos e tranças
e correm na poeira ao encontro de alguém
daquelas que olham nos olhos com esperança
e paro chão com vergonha
que se derretem por um simples agrado
uma atenção, um sorriso especial
que fazem nas nuvens sua morada especial
à espera de um encontro apaixonante
que fazem pedidos à lua, à estrelas, à fadas
que cantam na beira do lago seus desejos sinceros
daquelas que acreditam nas pessoas, nas palavras
sou quase extinta
sou daquelas que para alguns é lenda
que só existe no cinema
que escrevem sonhos no caderno e segredos em cartas
que acreditam em amores verdadeiros e sinceros
daquelas que esperam no porto o marinheiro fiel
que fazem crochê para alguém especial
que preparam doces com carinho
que sorriem felizes debruçadas na janela
sou do tipo raro, do tipo passado
daquelas que acreditam em filhos e netos, em família feliz
que usam vestidos e tranças
e correm na poeira ao encontro de alguém
daquelas que olham nos olhos com esperança
e paro chão com vergonha
que se derretem por um simples agrado
uma atenção, um sorriso especial
que fazem nas nuvens sua morada especial
à espera de um encontro apaixonante
que fazem pedidos à lua, à estrelas, à fadas
que cantam na beira do lago seus desejos sinceros
daquelas que acreditam nas pessoas, nas palavras
sou quase extinta
sou daquelas que para alguns é lenda
que só existe no cinema
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Sou Uma Criança, Não Entendo Nada
Antigamente quando eu me excedia
Ou fazia alguma coisa errada
Naturalmente minha mãe dizia:
"Ele é uma criança, não entende nada"...
Por dentro eu ria
Satisfeito e mudo
Eu era um homem
E entendia tudo...
Hoje só com meus problemas
Rezo muito, mas eu não me iludo
Sempre me dizem quando fico sério:
"Ele é um homem e entende tudo"...
Por dentro com
A alma atarantada
Sou uma criança
Não entendo nada...
(Erasmo Carlos)
http://www.youtube.com/watch?v=zALTZ3388Fg&feature=related
Ou fazia alguma coisa errada
Naturalmente minha mãe dizia:
"Ele é uma criança, não entende nada"...
Por dentro eu ria
Satisfeito e mudo
Eu era um homem
E entendia tudo...
Hoje só com meus problemas
Rezo muito, mas eu não me iludo
Sempre me dizem quando fico sério:
"Ele é um homem e entende tudo"...
Por dentro com
A alma atarantada
Sou uma criança
Não entendo nada...
(Erasmo Carlos)
http://www.youtube.com/watch?v=zALTZ3388Fg&feature=related
sábado, 31 de julho de 2010
Vitrola
Perdia um bom tempo entrando de cidade em cidade, de parada em parada. Em cada rodoviária, rostos parecidos, histórias parecidas. A senhora conversadeira, que estava ao seu lado, explicou que no passado as rodoviárias eram ponto de encontro nas cidades pequenas, as pessoas se arrumavam para nela se encontrarem, ver quem chegava e partia, conversar, paquerar,etc. Por isso as rodoviárias velhas eram construidas no centro das cidades, já as mais novas ficam na beirada das cidades, mais próximas das rodovias - com o tempo ficou cafona esse tipo de diversão, e as paradas próximas das rodovias facilitavam a vida e todo mundo. Ele não reclamava, gostava de ver todas aquelas ruas iguais, cidades iguais, mas cada uma com sua peculiaridade. Além do mais, adorava andar de ônibus, ficar horas olhando pela janela, os pensamentos se perdiam no horizonte, ou simplesmente, observava, com a mente vazia, como um arqueiro fixando a atenção no alvo. Viajar de ônibus cansa. Mal comparando, era uma masoquista.
Enfim, era a sua vez. Despediu-se da senhora, pegou sua mochila no bagageiro, agradeceu ao motorista e acenou quando o ônibus partiu. Agora ele era mais um dos rostos parecidos, com uma história igual a de quase todo mundo, com elementos particulares. Era mais um rosto sendo observado por alguém - pela senhora da barraca, pelo homem da banca, pelo guarda. Cada qual com uma visão diferente daquele rosto estranho, ou indiferente à sua presença.
Com um papel na mão, pediu informação. Seguiu com um sorriso na face. Adorava conhecer lugares novos. Olhava com atenção cada detalhe daquele lugar. A velha igreja lhe encheu os olhos. Ao entrar na rua indicada, pareceu estar sonhando. Por um momento duvidou estar no plano físico. Aquela rua longa, deserta, as copas das árvores cobriam todo o caminho, apenas alguns raios solares conseguiam penetrar, formando uma visão mágica; aquelas casas antigas, o vento passando no silêncio, só quebrado pelo som dos pássaros, os paralelepípedos e a calçada enfeitados com as folhas caidas. Era lindo demais. Um paz incrivel abraçou seu espírito, uma felicidade superior adentrou cada canto do seu corpo, da sua alma.
A felicidade está no ser e não no ter. É uma sabedoria magnífica que o mundo perdeu. Perceber que a felicidade vem de dentro e não de fora, compreender o que há de mais valioso. O mundo como está não merece existir por muito mais tempo, a maldade já tomou os quatro cantos, os valores eternos foram invertidos, todos vivemos pelos sete pecados e não pelas sete virtudes. É preciso renovar, começar de novo.
Andou lentamente, observando cada passo, escutando cada pássaro, sentindo o cheio das árvores. Cada casa simples era de uma beleza enorme. Alguns crianças sairam correndo de uma casa. Umas foram jogar bola, outras bolinha de gude, algumas meninas com bonecas na mão; brincavam de correr, de pular elástico, de amarelinha e muitas outras brincadeiras. Hoje as crianças brincam de matar nos vídeos game, de fazer sexo no computador.
Chegou na casa. Toda branca com detalhes azuis, o muro baixo, muitas plantas no quintal e na varanda, uma cadeira de balanço e em cima da porta uma imagem do nosso senhor Jesus Cristo.
Bateu palma. Apareceu uma mulher, com uma felicidade que transbordava pela aura, que tentava disfarçar com um sorriso contido. A ansiedade que precedeu o estouro de alegria tinha sido muita, e foi por entre as plantas, com seu vestido longo, cabelos trançados e mãos suadas, mãos que entregaram tudo o que ela estava sentindo. Esperou um bom tempo por aquele dia, preparou tudo com muito carinho. Às vezes os senhores do destino não facilitam o reencontro de velhas almas, mas elas persistem, por magnetismo, por karma e darma.
Um abraço forte seguido de olhos brilhantes. Ela segurou em sua mão e foram pelo quintal, com aquelas conversas previsiveis: tudo bem?, como foi a viagem? etc.
Um gato guardava a entrada da casa. Os cachorros protegem no físico, os gatos que protegem no astral.
A casa era extremamente aconchegante. Os quadros de paisagens, os jarros de flores, a estante com uma tv em preto em branco - que só servia mesmo de enfeite, tinha uma colorida no quarto -, uma imagem de Santo Antônio, as cortinas brancas balançando com o vento, o sol mostrando um pouco da poeira, a mesa baixa no meio da sala, uma cortina do tipo "cigana" que dava pros outros cômodos e o mais importante de tudo: a vitrola.
Tinham ido àquela casa pra ouvir música na vitrola, depois iriam acampar.
Ouvir música na vitrola é diferente, tem um clima, um ar especial, como se o ruido transportasse a consciência pra algum lugar esquecido no passado, como se vivessem tudo novamente. O ruido toca na alma e tudo em volta fica mais belo. Levaram alguns discos que herdaram de seus pais e outros que conseguiram emprestado: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Novos Baianos, Alceu Valença, Cazuza, Zé Ramalho, entre outros. Ele sentou no sofá, ela colocou um disco do Cartola e foi fazer chá. Coisa boa é ouvir Cartola numa tarde de domingo, conversar sobre coisas da vida, tomar chá e ver o tempo passar. Ela veio com chá e bolo. Falaram sobre muitos assuntos, coisas sérias, coisas bestas, riram, fizeram expressãos de lamentaçãos, expressãos de esperanças, ficaram mudos, trocaram todo tipo de ideia. Uma frase do Raul Seixas descreve bem as conversas que tiveram: "dois problemas se misturam, a verdade do universo e a prestação que vai vencer".
O tempo passou, os raios solares sumiram, a vela era a única coisa a iluminar a sala. Todas as coisas precisam ter seu equilíbrio. A vitrola tornou a tarde muito boa, mas agora era hora de ficar em silêncio. A moça ligou um abajur que tinha no canto da sala, uma luz amarela tomou toda a sala, parecia cena de cinema. Os sinos de vento, conforme o vento batia, ecoavam seus sons por toda a casa. O chá deu lugar ao vinho. Beberam um pouco, ouviram o silêncio misturado com os sinos de vento, que pareciam trazer mistérios da noite. O silêncio diz muita coisa pra quem sabe ouvir.
Trocaram olhares profundos, que dizem muito mais que palavras.
Já estava na hora. Precisavam pegar o último ônibus. Seria uma viagem longa, de uma semana longa e inesquecível. Momentos ímpares estavam se configurando em suas vidas. Momentos que começaram numa tarde de vitrola e chá, numa noite de silêncio e vinho, em momentos de calma.
--------------------------------------------------------
Aqui a música
http://www.youtube.com/watch?v=HN0_mN7fWa8
Cartola - Preciso me encontrar
-------------------------------------------------------
Aqui um poema sobre o texto
Uma tarde de diferente harmonia
Daqueles momentos únicos na vida
Onde os anjos têm a bela mania
De criar cena que merece ser cantada
Sons do sino de vento
Sons da velha vitrola
Luz num profundo contemplamento
Uma nostalgia que não se controla
Bolo, chá, vinho
Plantas, vento, gato
Um abajur que lá do seu cantinho
Faz do lar um belíssimo retrato
Daqueles que se conta pras futuras gerações
Narrando cidades, ruas, casas encantadas
De como um vinil costura corações
Premia a dedicação de moças prendadas
Enfim, era a sua vez. Despediu-se da senhora, pegou sua mochila no bagageiro, agradeceu ao motorista e acenou quando o ônibus partiu. Agora ele era mais um dos rostos parecidos, com uma história igual a de quase todo mundo, com elementos particulares. Era mais um rosto sendo observado por alguém - pela senhora da barraca, pelo homem da banca, pelo guarda. Cada qual com uma visão diferente daquele rosto estranho, ou indiferente à sua presença.
Com um papel na mão, pediu informação. Seguiu com um sorriso na face. Adorava conhecer lugares novos. Olhava com atenção cada detalhe daquele lugar. A velha igreja lhe encheu os olhos. Ao entrar na rua indicada, pareceu estar sonhando. Por um momento duvidou estar no plano físico. Aquela rua longa, deserta, as copas das árvores cobriam todo o caminho, apenas alguns raios solares conseguiam penetrar, formando uma visão mágica; aquelas casas antigas, o vento passando no silêncio, só quebrado pelo som dos pássaros, os paralelepípedos e a calçada enfeitados com as folhas caidas. Era lindo demais. Um paz incrivel abraçou seu espírito, uma felicidade superior adentrou cada canto do seu corpo, da sua alma.
A felicidade está no ser e não no ter. É uma sabedoria magnífica que o mundo perdeu. Perceber que a felicidade vem de dentro e não de fora, compreender o que há de mais valioso. O mundo como está não merece existir por muito mais tempo, a maldade já tomou os quatro cantos, os valores eternos foram invertidos, todos vivemos pelos sete pecados e não pelas sete virtudes. É preciso renovar, começar de novo.
Andou lentamente, observando cada passo, escutando cada pássaro, sentindo o cheio das árvores. Cada casa simples era de uma beleza enorme. Alguns crianças sairam correndo de uma casa. Umas foram jogar bola, outras bolinha de gude, algumas meninas com bonecas na mão; brincavam de correr, de pular elástico, de amarelinha e muitas outras brincadeiras. Hoje as crianças brincam de matar nos vídeos game, de fazer sexo no computador.
Chegou na casa. Toda branca com detalhes azuis, o muro baixo, muitas plantas no quintal e na varanda, uma cadeira de balanço e em cima da porta uma imagem do nosso senhor Jesus Cristo.
Bateu palma. Apareceu uma mulher, com uma felicidade que transbordava pela aura, que tentava disfarçar com um sorriso contido. A ansiedade que precedeu o estouro de alegria tinha sido muita, e foi por entre as plantas, com seu vestido longo, cabelos trançados e mãos suadas, mãos que entregaram tudo o que ela estava sentindo. Esperou um bom tempo por aquele dia, preparou tudo com muito carinho. Às vezes os senhores do destino não facilitam o reencontro de velhas almas, mas elas persistem, por magnetismo, por karma e darma.
Um abraço forte seguido de olhos brilhantes. Ela segurou em sua mão e foram pelo quintal, com aquelas conversas previsiveis: tudo bem?, como foi a viagem? etc.
Um gato guardava a entrada da casa. Os cachorros protegem no físico, os gatos que protegem no astral.
A casa era extremamente aconchegante. Os quadros de paisagens, os jarros de flores, a estante com uma tv em preto em branco - que só servia mesmo de enfeite, tinha uma colorida no quarto -, uma imagem de Santo Antônio, as cortinas brancas balançando com o vento, o sol mostrando um pouco da poeira, a mesa baixa no meio da sala, uma cortina do tipo "cigana" que dava pros outros cômodos e o mais importante de tudo: a vitrola.
Tinham ido àquela casa pra ouvir música na vitrola, depois iriam acampar.
Ouvir música na vitrola é diferente, tem um clima, um ar especial, como se o ruido transportasse a consciência pra algum lugar esquecido no passado, como se vivessem tudo novamente. O ruido toca na alma e tudo em volta fica mais belo. Levaram alguns discos que herdaram de seus pais e outros que conseguiram emprestado: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Novos Baianos, Alceu Valença, Cazuza, Zé Ramalho, entre outros. Ele sentou no sofá, ela colocou um disco do Cartola e foi fazer chá. Coisa boa é ouvir Cartola numa tarde de domingo, conversar sobre coisas da vida, tomar chá e ver o tempo passar. Ela veio com chá e bolo. Falaram sobre muitos assuntos, coisas sérias, coisas bestas, riram, fizeram expressãos de lamentaçãos, expressãos de esperanças, ficaram mudos, trocaram todo tipo de ideia. Uma frase do Raul Seixas descreve bem as conversas que tiveram: "dois problemas se misturam, a verdade do universo e a prestação que vai vencer".
O tempo passou, os raios solares sumiram, a vela era a única coisa a iluminar a sala. Todas as coisas precisam ter seu equilíbrio. A vitrola tornou a tarde muito boa, mas agora era hora de ficar em silêncio. A moça ligou um abajur que tinha no canto da sala, uma luz amarela tomou toda a sala, parecia cena de cinema. Os sinos de vento, conforme o vento batia, ecoavam seus sons por toda a casa. O chá deu lugar ao vinho. Beberam um pouco, ouviram o silêncio misturado com os sinos de vento, que pareciam trazer mistérios da noite. O silêncio diz muita coisa pra quem sabe ouvir.
Trocaram olhares profundos, que dizem muito mais que palavras.
Já estava na hora. Precisavam pegar o último ônibus. Seria uma viagem longa, de uma semana longa e inesquecível. Momentos ímpares estavam se configurando em suas vidas. Momentos que começaram numa tarde de vitrola e chá, numa noite de silêncio e vinho, em momentos de calma.
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Aqui a música
http://www.youtube.com/watch?v=HN0_mN7fWa8
Cartola - Preciso me encontrar
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Aqui um poema sobre o texto
Uma tarde de diferente harmonia
Daqueles momentos únicos na vida
Onde os anjos têm a bela mania
De criar cena que merece ser cantada
Sons do sino de vento
Sons da velha vitrola
Luz num profundo contemplamento
Uma nostalgia que não se controla
Bolo, chá, vinho
Plantas, vento, gato
Um abajur que lá do seu cantinho
Faz do lar um belíssimo retrato
Daqueles que se conta pras futuras gerações
Narrando cidades, ruas, casas encantadas
De como um vinil costura corações
Premia a dedicação de moças prendadas
sábado, 17 de julho de 2010
Lembranças / Irmãs
Lembranças
A memória - mesmo construida - é essencial a cada povo
Lembraças são o que levamos de tempos supostamente floridos
Guardamos num pote mental de onde muitos vezes tiramos força
De estradas tortuosas extraimos belas lembraças
Eram tardes de brincadeiras infantis
"era assim todo dias de tarde
a descoberta da amizade"
Sorrisos tolos em inúmeras bobeiras
Pontualmente toda sexta
A lua sempre nos cobrava
Era urgente a reunião da nossa tribo
Sempre no mesmo lugar, só por estar
Dizia sempre: você tem a barba mas o profeta sou eu
Pregando uma peça na gente, nao previu o que viria
E noites casuais de sábados e domingos
Nas noites altas, segredos que só são contados assim
Que apenas cachorros também podiam ouvir
Fora eles, só a tribo é leal
Em cada jogo, cada piada, cada alegria
Era alegria
Assim a gente levou a vida
Até a vida nos separar
Cada qual pra seu canto
Seguindo sua maré
Encontros corriqueiros e boas conversas
Boas lembraças
Até a vida nos separar
Vai descendo com seu brincando
Com seu instrumento nas costas
É alto e veloz
A base do morro e a alavanca pra outros voos
Vai tocar em outro lugar
Vai sorrir em outro lugar
Vai andar em outro lugar
"qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar"
-----------------------------------------------------------
Irmãs
Poema das irmãs
Vibração da energia que emana
Poderosos, fortes imãs
A fortaleza da Ananda
Na dança de muito tempo
Muita roupa, muito estilo
Até mesmo o contratempo
Fez o amor seu pupilo
Princesas e escravas
A fragilidade de Alice
Memória tudo gravas
Festa animada e chatisse
Amizade que até falha
Tropeça mas não abala
Não é fogo de palha
Tá escrito na cabala
E assim que tem que ser
Findou-se o tempo de errar
Pra que a alma possa vencer
Forjado está o tempo de amar
A memória - mesmo construida - é essencial a cada povo
Lembraças são o que levamos de tempos supostamente floridos
Guardamos num pote mental de onde muitos vezes tiramos força
De estradas tortuosas extraimos belas lembraças
Eram tardes de brincadeiras infantis
"era assim todo dias de tarde
a descoberta da amizade"
Sorrisos tolos em inúmeras bobeiras
Pontualmente toda sexta
A lua sempre nos cobrava
Era urgente a reunião da nossa tribo
Sempre no mesmo lugar, só por estar
Dizia sempre: você tem a barba mas o profeta sou eu
Pregando uma peça na gente, nao previu o que viria
E noites casuais de sábados e domingos
Nas noites altas, segredos que só são contados assim
Que apenas cachorros também podiam ouvir
Fora eles, só a tribo é leal
Em cada jogo, cada piada, cada alegria
Era alegria
Assim a gente levou a vida
Até a vida nos separar
Cada qual pra seu canto
Seguindo sua maré
Encontros corriqueiros e boas conversas
Boas lembraças
Até a vida nos separar
Vai descendo com seu brincando
Com seu instrumento nas costas
É alto e veloz
A base do morro e a alavanca pra outros voos
Vai tocar em outro lugar
Vai sorrir em outro lugar
Vai andar em outro lugar
"qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar"
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Irmãs
Poema das irmãs
Vibração da energia que emana
Poderosos, fortes imãs
A fortaleza da Ananda
Na dança de muito tempo
Muita roupa, muito estilo
Até mesmo o contratempo
Fez o amor seu pupilo
Princesas e escravas
A fragilidade de Alice
Memória tudo gravas
Festa animada e chatisse
Amizade que até falha
Tropeça mas não abala
Não é fogo de palha
Tá escrito na cabala
E assim que tem que ser
Findou-se o tempo de errar
Pra que a alma possa vencer
Forjado está o tempo de amar
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Arrisco seus cabelos verdes
Ela veio do norte, sem pretensões e ambições.
A vida não é mais que uma festa multitemática
Em estradas com curiosidades futeis.
De carioca a espanhola, com olhos clichês
Refletidos num copo de vodka,
Numa noite quente de outono;
Mas ela sente frio.
Entre assuntos tão normais,
As novidades que não vimos tv,
Ouvimos o porteiro comentar
E não tardamos a criticar
O assunto popular da vez,
O tira gosto ruim da esquina.
Ela é a dona da louça da vez.
A turma continua a conversar.
Do canto do sofá mesclo
A fumaça do cigarro com seus cabelos verdes,
Imagino uma cena de cinema,
Um beijo de novela russa;
Mas nunca vi novela russa.
Continuo a viajar.
Ela joga um prato na parede,
Um protesto contra o frio.
Todos acham muito rock n roll,
Mas não param a jogatina.
Pego o violão com as cordas enfumaçadas,
Arrisco cantar seus cabelos verdes.
De carioca a espanhola.
De pele escura.
Arrisco seus cabelos verdes.
A vida não é mais que uma festa multitemática
Em estradas com curiosidades futeis.
De carioca a espanhola, com olhos clichês
Refletidos num copo de vodka,
Numa noite quente de outono;
Mas ela sente frio.
Entre assuntos tão normais,
As novidades que não vimos tv,
Ouvimos o porteiro comentar
E não tardamos a criticar
O assunto popular da vez,
O tira gosto ruim da esquina.
Ela é a dona da louça da vez.
A turma continua a conversar.
Do canto do sofá mesclo
A fumaça do cigarro com seus cabelos verdes,
Imagino uma cena de cinema,
Um beijo de novela russa;
Mas nunca vi novela russa.
Continuo a viajar.
Ela joga um prato na parede,
Um protesto contra o frio.
Todos acham muito rock n roll,
Mas não param a jogatina.
Pego o violão com as cordas enfumaçadas,
Arrisco cantar seus cabelos verdes.
De carioca a espanhola.
De pele escura.
Arrisco seus cabelos verdes.
sábado, 12 de junho de 2010
Simples coincidências / Devaneios no vidro / Perfeição de um segundo
Simples coincidências.
Calma!
É só minha cara de susto.
Tire de tua face a expressão de espanto.
É só a surpresa que não pude disfarçar.
São só simples coincidências!
Por ver você aqui,
Ao pensar, você me aparece, assim,
Sem avisar, sem alerta, sem anúncio.
Por você não ser clarevidente, diminuiu minha saia-justa,
Minha vergonha; segredo pouco bem guardado.
Não repare minha fulga.
Vou ali, em lugar nenhum, fazer nada,
Mas aqui não dá pra ficar, preciso respirar,
me recompor.
São só simples coincidências.
Pensamentos e ondas.
Simples coincidências.
----------------------------------------
Devaneios no vidro.
No vidro a imagem refletida da flor,
Do verde em valsa lenta, harmônica.
Na cadência do sopro do vento.
Entre nós, por um segundo, um corpo de belos contornos,
Num andar deselegante e terno, que se confundem.
Tronco marrom, entre flores lilás e imagens refletidas.
Entre passagem de andares deselegantes e verdes dançantes.
Devaneios
---------------------------------
Perfeição de um segundo.
O tempo parou por um segundo.
Toda a eternidade contida num segundo.
Pássaros e ventos silenciaram,
Animais e pássaros simplesmente obeservaram.
Justa e felizmente, carros e aviões mudos.
O vazio do som tomou todos os cantos;
na essência do vazio, mistérios universais.
Pausa, contemplação, compreensão e paz.
Por um segundo a perfeição.
E fim.
Voltam os barulhos, as picadas, a imperfeição;
O estado imperfeito de sempre.
Calma!
É só minha cara de susto.
Tire de tua face a expressão de espanto.
É só a surpresa que não pude disfarçar.
São só simples coincidências!
Por ver você aqui,
Ao pensar, você me aparece, assim,
Sem avisar, sem alerta, sem anúncio.
Por você não ser clarevidente, diminuiu minha saia-justa,
Minha vergonha; segredo pouco bem guardado.
Não repare minha fulga.
Vou ali, em lugar nenhum, fazer nada,
Mas aqui não dá pra ficar, preciso respirar,
me recompor.
São só simples coincidências.
Pensamentos e ondas.
Simples coincidências.
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Devaneios no vidro.
No vidro a imagem refletida da flor,
Do verde em valsa lenta, harmônica.
Na cadência do sopro do vento.
Entre nós, por um segundo, um corpo de belos contornos,
Num andar deselegante e terno, que se confundem.
Tronco marrom, entre flores lilás e imagens refletidas.
Entre passagem de andares deselegantes e verdes dançantes.
Devaneios
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Perfeição de um segundo.
O tempo parou por um segundo.
Toda a eternidade contida num segundo.
Pássaros e ventos silenciaram,
Animais e pássaros simplesmente obeservaram.
Justa e felizmente, carros e aviões mudos.
O vazio do som tomou todos os cantos;
na essência do vazio, mistérios universais.
Pausa, contemplação, compreensão e paz.
Por um segundo a perfeição.
E fim.
Voltam os barulhos, as picadas, a imperfeição;
O estado imperfeito de sempre.
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