O dia hoje veio leve, a paz que é bom sentir, aquela paz pós-chuva; o sol brilhou forte dentro de casa, trouxe vida. As nuvens vieram ocupar o lugar que, talvez, não seja delas - no verão, chuva e tempestade vem no fim da tarde, a manhã é do sol.
Entendo as nuvens, conviver com os humanos fez com que ficassem gananciosas; porém, não tiraram a força do sol e mim. Recebi um email avisando que fui selecionado pra final de um concurso de poesias. Não é lá grande coisa, só 17 participantes, mas fiquei feliz. O prêmio: um livro de poesias da coleção LPM Poket
Peço que quem gostar do poema, vote em mim. O endereço do blog pra votar está logo embaixo. O local de votar fica no lado esquerdo superior :)
http://marcelareinhardt.blogspot.com/2010/01/resultado-da-1-fase-do-concurso-de.html
Aqui o poema:
Do tempo
Não existe, mas tenho, curto tempo
Sei que não existe
Mas o rotina não acredita, e toma meu tempo
Deus não disse
O homem fez
Sol lá, Lua cá
Ainda que eu não conheça as leis da física
Entendo a relatividade do tempo
Ao mesmo tempo, curto e rápido
Podemos viajar no tempo
Espaço, astral, pensamento, físico...
Deus permite
Não o Deus tirano
Deus vento, ar, árvore, luz, sol, sentimento,...
É tempo de ter esperança
A velha e surrada esperança
Presente na metade dos poemas
A outra metade é desespero
É tempo de fazer do tempo o tempo que quiser
Do curto tempo, um longo tempo
O que nós fazemos, além de trilhar o tempo, atrás da falsa, ou verdadeira, felicidade?
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
O homem feliz e o infeliz.
Algumas pessoas nascem com sorte, outras com azar; algumas têm sucesso na vida, outras são fracassadas; algumas são felizes, outras apenas vivem, suportam. A sorte sorri para poucos, o azar, para muitos.
Fernando, um homem de sucesso, jornalista, casado, pais de três filhos; tem um ótimo salário, uma ótima casa, um belíssimo carro; quase sempre passa as férias na Europa, janta em restaurantes caros, passa os feriadões na sua casa de praia; a filha cursa medicina, um dos filhos cursa direito e o outro quer ser engenheiro. Fernando tem uma vida que muitos gostariam de ter, é respeitado, bem visto, é um homem feliz, um homem de sucesso.
Da janela do trabalho Fernando observava a bela paisagem – o sol, as montanhas, o bosque – quando o telefone tocou. Pensou ser a amante, esperava o telefonema dela, mas não era; para sua tristeza, era a esposa avisando o filho mais novo tinha sido pego mais uma vez com drogas na escola, e que desta vez seria expulso. A diretora tinha chamado a polícia e ele teria que ir à delegacia novamente, a segunda em duas semanas – na semana anterior foi tirar o filho do meio que se envolveu numa briga de gangue numa boate. Era complicado ter dois filhos homens problemáticos, a menina era a única que não dava dor de cabeça – isso na opinião da mulher do Fernando, pois ele achava o contrário, via na filha a maior vergonha da família. A filha mais velha era lésbica, morava com uma mulher, Fernando não matinha contato com ela, dizia que gostaria ter uma filha morta a ter uma aberração.
Fernando desceu rápido, no caminho para pegar o carro, esbarrou num lixeiro que trabalha no local. Respingou um pouco de sujeira no terno caríssimo de Fernando, que olhou com desdém para o lixeiro, falou um palavrão e continuou em direção ao carro. Quando ia saindo do local, xingou o trabalhador de pobre infeliz.
O pobre infeliz tinha um nome (apelido): Seu Zé
Seu Zé era um fracassado na vida. Trabalhava recolhendo lixo dos outros, morava numa favela, numa casa pequena que dividia com sua mulher e seus dois filhos. Pegava ônibus cheio e demorava uma hora para chegar no trabalho. Sua filha, a mais velha, trabalhava numa loja tirando xerox e estudava num pré-vestibular comunitário, ia tentar uma vaga no curso de pedagogia. O filho mais novo não sabia bem qual profissão seguir. Adora desenhar – o que fazia muito bem -, além de ser muito inteligente.
A casa de Seu Zé, apesar de simples, vivia em harmonia. Seu Zé quase não brigava com a esposa, se amavam como pouco acontece nos dias atuais; os filhos, apesar do trabalho que dá criar, respeitavam e seguiam os conselhos dos pais. Não se envolviam com drogas ou em brigas, apesar do ambiente propício. A diversão do Seu Zé era o futebol no final de semana, corria bem pra um homem de quarenta e oito anos; de vez em quando organizava um churrasco com os amigos, bebia um pouco, o suficiente pra não chegar bêbado em casa. Nas férias visita parentes no estado vizinho, nos feriados visitava parentes nas cidades vizinhas. Era sempre uma grande alegria rever os pais, irmãos, primos, sobrinhos, amigos, etc.
Pobre Zé! Um miserável, um nada na sociedade, só mais um entre tantos, um zero à esquerda! Nasceu no fracasso e morrerá no fracasso. Um homem infeliz!
Fernando, um homem de sucesso, jornalista, casado, pais de três filhos; tem um ótimo salário, uma ótima casa, um belíssimo carro; quase sempre passa as férias na Europa, janta em restaurantes caros, passa os feriadões na sua casa de praia; a filha cursa medicina, um dos filhos cursa direito e o outro quer ser engenheiro. Fernando tem uma vida que muitos gostariam de ter, é respeitado, bem visto, é um homem feliz, um homem de sucesso.
Da janela do trabalho Fernando observava a bela paisagem – o sol, as montanhas, o bosque – quando o telefone tocou. Pensou ser a amante, esperava o telefonema dela, mas não era; para sua tristeza, era a esposa avisando o filho mais novo tinha sido pego mais uma vez com drogas na escola, e que desta vez seria expulso. A diretora tinha chamado a polícia e ele teria que ir à delegacia novamente, a segunda em duas semanas – na semana anterior foi tirar o filho do meio que se envolveu numa briga de gangue numa boate. Era complicado ter dois filhos homens problemáticos, a menina era a única que não dava dor de cabeça – isso na opinião da mulher do Fernando, pois ele achava o contrário, via na filha a maior vergonha da família. A filha mais velha era lésbica, morava com uma mulher, Fernando não matinha contato com ela, dizia que gostaria ter uma filha morta a ter uma aberração.
Fernando desceu rápido, no caminho para pegar o carro, esbarrou num lixeiro que trabalha no local. Respingou um pouco de sujeira no terno caríssimo de Fernando, que olhou com desdém para o lixeiro, falou um palavrão e continuou em direção ao carro. Quando ia saindo do local, xingou o trabalhador de pobre infeliz.
O pobre infeliz tinha um nome (apelido): Seu Zé
Seu Zé era um fracassado na vida. Trabalhava recolhendo lixo dos outros, morava numa favela, numa casa pequena que dividia com sua mulher e seus dois filhos. Pegava ônibus cheio e demorava uma hora para chegar no trabalho. Sua filha, a mais velha, trabalhava numa loja tirando xerox e estudava num pré-vestibular comunitário, ia tentar uma vaga no curso de pedagogia. O filho mais novo não sabia bem qual profissão seguir. Adora desenhar – o que fazia muito bem -, além de ser muito inteligente.
A casa de Seu Zé, apesar de simples, vivia em harmonia. Seu Zé quase não brigava com a esposa, se amavam como pouco acontece nos dias atuais; os filhos, apesar do trabalho que dá criar, respeitavam e seguiam os conselhos dos pais. Não se envolviam com drogas ou em brigas, apesar do ambiente propício. A diversão do Seu Zé era o futebol no final de semana, corria bem pra um homem de quarenta e oito anos; de vez em quando organizava um churrasco com os amigos, bebia um pouco, o suficiente pra não chegar bêbado em casa. Nas férias visita parentes no estado vizinho, nos feriados visitava parentes nas cidades vizinhas. Era sempre uma grande alegria rever os pais, irmãos, primos, sobrinhos, amigos, etc.
Pobre Zé! Um miserável, um nada na sociedade, só mais um entre tantos, um zero à esquerda! Nasceu no fracasso e morrerá no fracasso. Um homem infeliz!
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Entre trovões e MPB
Teu fogo reflete a inocência do ser
Brincadeiras de quem está por viver
Teus risos indecisos, tão firmes que arredia
Recrutam esperança no fim do dia
A bobeira é simplesmente clichê
Como rebeldes com blusas do che
Caio nesta trama de dama
Te convido pra brincar na lama
Só não pare quando o trovão vir
Fugir de raios te fará curtir
Quando descansar à sombra de uma lona
Ao fundo uma música da Madonna
Pode ignorar no teu deitar
Mas fadas e duendes irão te contatar
No sonho lhe mostrarão um mundo belo
Com rios de leite e chocolates de martelo
Só você, criatura, que é única
Meu presente pra você: uma túnica
Pra proteger da chuva depois que banho tomar
Da janela faremos das nuvens um mar
E neste mar versos lançar
Fazer a magia por nós balançar
Você na batida do seu descobrir
Mundo maravilhoso irá se abrir
Brincadeiras de quem está por viver
Teus risos indecisos, tão firmes que arredia
Recrutam esperança no fim do dia
A bobeira é simplesmente clichê
Como rebeldes com blusas do che
Caio nesta trama de dama
Te convido pra brincar na lama
Só não pare quando o trovão vir
Fugir de raios te fará curtir
Quando descansar à sombra de uma lona
Ao fundo uma música da Madonna
Pode ignorar no teu deitar
Mas fadas e duendes irão te contatar
No sonho lhe mostrarão um mundo belo
Com rios de leite e chocolates de martelo
Só você, criatura, que é única
Meu presente pra você: uma túnica
Pra proteger da chuva depois que banho tomar
Da janela faremos das nuvens um mar
E neste mar versos lançar
Fazer a magia por nós balançar
Você na batida do seu descobrir
Mundo maravilhoso irá se abrir
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Amor e Paixão ( tentativa frustrada de algo mais elaborado - tô aprendendo... rs)
Há uma confusão na compreensão das pessoas sobre o que são o amor e a paixão. A maioria pensa que são a mesma coisa, mas são completamente diferentes. O amor é um sentimento nobre, verdadeiro, virtuoso, compreensivo, sábio, pacífico, etc. A paixão é um sentimento passageiro, cego, animal, muitas vezes doentio, violento, perigoso.
Hoje a pessoa apaixonada diz que ama incondicionalmente, mata e morre pelo tal amor, daqui a algum tempo, mal se lembra da pessoa, tudo o que sentia perde a importância, muitas vezes dá lugar ao ódio. O amor é algo para a vida toda, é muito mais profundo, muito mais belo do que uma paixão passageira.
Muitas vezes caímos no fascínio da mente, dos desejos, e acreditamos que amamos.
Existe, também, a diferença entre o amor consciente e inconsciente, mas isso é assunto para outra hora.
Era uma tarde fria do mês de julho, um tempo seco e frio, apropriado para quem gosta de exibir modelitos de inverno.
Ângelo estava de férias em sua cidade natal - Curitiba. Já havia passado seis anos desde que tinha ido morar em Recife, e ainda estava acostumado com o frio, difícil era se adaptar ao calor do nordeste. A capacidade de adaptação vária de pessoa pra pessoa e também pra cada quesito: Língua, roupa, costumes, etc. Ângelo usava uma roupa leve, ao contrário de sua esposa, Maria, e seu filho, Gabriel, que usavam pesadas roupas de frio.
Estavam comprando ingredientes pro almoço no mercadinho ao lado da casa dos pais de Ângelo. Saindo do mercadinho, Ângelo encontrou Tales, um velho amigo. Apresentou a esposa e o filho ao amigo. Conversaram um bom tempo, falaram sobre coisas do passado, do presente, planos do futuro; falaram da vida. Depois de meia-hora, cansada de esperar, a mãe de Ângelo, Leia, foi atrás das compras. No mesmo momento em que ela interrompeu a conversa, uma moça alta e magra dobrou a esquina. Era Clara, ex-namorada de Ângelo. Clara olhou Ângelo nos olhos, observou a criança que era a cópia de Ângelo, olhou Ângelo mais uma vez e continuou andando, com um certo ódio no olhar.
Só Tales e Ângelo perceberam a cena. Veio à memória de Ângelo toda a alegria e drama que viveu com Clara. Fantasmas do passado.
Clara e Ângelo eram jovens; como todo jovem, tinham sonhos, muitos sonhos. Entre os sonhos estava o desejo de uma vida juntos; filhos, netos e tudo mais. Juras de amor eterno. No início tudo eram flores, tudo era maravilhoso, como se só aquilo bastasse para viver. Logo vieram as brigas, os ciúmes, as diferenças, as imperfeições, tudo o que não percebemos quando a paixão nos cega. Com o fim da paixão, se há uma dose de amor, amizade, cumplicidade, leva-se uma boa vida, senão, há muito sofrimento.
A paixão de Ângelo, apesar de intensa, era curta, logo desencantou com Clara. Mas ainda levou o namoro por um bom tempo – talvez por apegou ou por medo da solidão. Já a paixão de Clara era mais intensa e longa. Totalmente ciumenta e possessiva, foi cada vez mais afastando Ângelo; quando este terminou o namoro, ela tentou se matar. Depois de idas e vindas, algumas outras tentativas de suicídio, Ângelo rompeu definitivamente com Clara, que inconformada, vendo em Ângelo sua única chance de felicidade, mergulhou no mundo das drogas.
Ângelo encontrou uma outra pessoa, mudou de cidade, constituiu família, passou a ter novos ideais, nova visão de mundo; deixou Clara no passado. Clara continuou a pensar em Ângelo. Chorava, xingava, bebia, fala sempre do mesmo assunto com todo mundo.
O encontrou reavivou as lembranças de Ângelo e reforçou o drama de Clara. Um misto de saudade, ódio e dor tomou conta de ambos. Logo Ângelo partiria e deixaria tudo aqui para trás. Clara, por outro lado, continuará vivendo o passado, remoendo velhos dramas.
Encomenda para JecaTatu
A inda que eu a fizesse sem inspiração
N ada valeria uma poesia sem razão?
A inda que pseudo-encantado pela JecaTatu
N ão haveria roda de dança de maracatu
D ar-te-ia, talvez, parcelas de gentileza
A ssim ficaria - sensível feliz - repousada em tua nobreza
N ada valeria uma poesia sem razão?
A inda que pseudo-encantado pela JecaTatu
N ão haveria roda de dança de maracatu
D ar-te-ia, talvez, parcelas de gentileza
A ssim ficaria - sensível feliz - repousada em tua nobreza
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Auto-Conhecimento
“Te advirto, seja tu quem fores!
Oh! Tu que desejas sondar os arcanos da natureza, que se não achas dentro de ti mesmo aquilo que buscas, tão pouco poderás achar fora.
Se tu ignoras as excelências de tua própria casa, como pretendes encontrar outras excelências?
Em ti está oculto o Tesouros dos tesouros.
Oh! Homem! Conhece a ti mesmo e conhecerás o universo e os Deuses…”
Templo de Delfos, na Grécia
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Ananda
Ananda, menina, mulher
Ananda dos seios fartos e sorriso fácil
Melões, ama-de-leite, riso de luz
Ananda palhaça, sem graça
Chata
Menina lerda, dirpersa, no mundo da lua
Lua dos sonhos, das bruxas
Ananda que nasce, que cresce, que vive
Ananda que vive sonhando na lua
Seus sonhos de bruxa mulher
Magnífica
Ananda bordada, aquela que marcelo cantou
Ananda de flor, de rosas, de verde, de mato e riacho
Aquela que tá por aí, que vi por aí
Ananda pequena, dos pequenos dramas, das pequenas alegrias
Do pequeno coração que abraça o mundo
Não é Márcia, nem Flávia ou Kátia
Ananda, tire o pijama e deite na cama
Não sonhe, não dorme, a estrela pode esperar
Me beije, me abrace, faça de tudo por mim
Ananda malandra, pilantra, ladrona
Vestido bordado, no boteco, na praia, no ar
Moça que olha
Um tom de vermelho que guarda pra si este doce sabor
Ananda que ama, que gera paixões e guarda pra si o doce sabor
Ananda de Santos e eu rezo por todos os santos
Ananda que é chata, palhaça
Ananda de luz
Ananda que engana e se engana
Você não é nada, não é de nada, te vejo e nada
Ananda que não percebe que é um espelho
Você é um reflexo, vejo um refexo de tua mana
A imagem daquela que ama, que engana, que encanta, que canta
Ananda sacana, não chora, só ri e despreza
Ananda tristonha, de sampa, do ar, do mato, da lua
Aquela que vive, que fala, de quem não sei nada
Ananda dos seios fartos e sorriso fácil
Melões, ama-de-leite, riso de luz
Ananda palhaça, sem graça
Chata
Menina lerda, dirpersa, no mundo da lua
Lua dos sonhos, das bruxas
Ananda que nasce, que cresce, que vive
Ananda que vive sonhando na lua
Seus sonhos de bruxa mulher
Magnífica
Ananda bordada, aquela que marcelo cantou
Ananda de flor, de rosas, de verde, de mato e riacho
Aquela que tá por aí, que vi por aí
Ananda pequena, dos pequenos dramas, das pequenas alegrias
Do pequeno coração que abraça o mundo
Não é Márcia, nem Flávia ou Kátia
Ananda, tire o pijama e deite na cama
Não sonhe, não dorme, a estrela pode esperar
Me beije, me abrace, faça de tudo por mim
Ananda malandra, pilantra, ladrona
Vestido bordado, no boteco, na praia, no ar
Moça que olha
Um tom de vermelho que guarda pra si este doce sabor
Ananda que ama, que gera paixões e guarda pra si o doce sabor
Ananda de Santos e eu rezo por todos os santos
Ananda que é chata, palhaça
Ananda de luz
Ananda que engana e se engana
Você não é nada, não é de nada, te vejo e nada
Ananda que não percebe que é um espelho
Você é um reflexo, vejo um refexo de tua mana
A imagem daquela que ama, que engana, que encanta, que canta
Ananda sacana, não chora, só ri e despreza
Ananda tristonha, de sampa, do ar, do mato, da lua
Aquela que vive, que fala, de quem não sei nada
domingo, 3 de janeiro de 2010
Alice e o plano das possibilidades maravilhosas.
Do ponto mais alto da cidade ela observava. Era noite, Alice olhava tudo com grande atenção, aquela grande e velha cidade; de noite parecia um enorme labirinto, sujo e escuro. Mas era tão fascinante, estar ali era algo único. Olhou os becos quase vazios, as pessoas dormindo em suas camas, algumas com a tv ligada, alguns crimes, coisas comuns.
Alice olhou pro alto, fez uma oração, desejou e começou a subir. Flutuava como uma pena, só que subindo. A cidade foi ficando cada vez mais pequena, cada vez mais distante, até sumir. Agora tudo era azul, em cima, em baixo, dos lados. Subiu cada vez mais, até que chegou num ponto que parecia ser o limite da terra. Mais uma vez olhou pro alto, não viu estrelas e nem naves, só um escuro pronfundo e belo. Olhou o horizonte, viu o sol, na mesma altura, como nunca tinha visto, é bem diferente vê-lo numa praia, ali pareceia ter mais vida e mais sentido, parecia sorrir, como se quisesse encantar e contar segredos divinos.
Aquilo tudo era belíssimo, Alice estava maravilhada com aquilo que estava vivendo, sabia que era privilegiada, a maior parte das pessoas não podia viver aquilo, mas ela estava ali, no céu, vivendo algo magnífico, com seu corpo leve, suave, cheio de boas energias.
Começou a descer, em queda livre, um forte vento no rosto. Apesar de saber que nada de grave iria acontecer, sentiu um certo medo, mas estava gostando, era um mergulho num céu azul e limpo, nenhuma aventura radical se comparava àquilo. Foi descendo até voltar ao ponto mais alto da cidade.
Foi uma das melhores experiência que Alice lembra ter tido nesta vida, não foi a primeira e nem a última, mas foi especial, sentiu algo especial, uma presença marcante no coração. A oração trouxe algo especial, como se um anjo estivesse ali, fazendo sentir forte a sua presença.
Ainda não era o fim, naquele lugar, naqueles becos, Alice viveu outras experiências, não tão boas. Nem só de belezas essas experiências são feitas, mas isto é algo pra se contado numa outra oportunidade.
Alice olhou pro alto, fez uma oração, desejou e começou a subir. Flutuava como uma pena, só que subindo. A cidade foi ficando cada vez mais pequena, cada vez mais distante, até sumir. Agora tudo era azul, em cima, em baixo, dos lados. Subiu cada vez mais, até que chegou num ponto que parecia ser o limite da terra. Mais uma vez olhou pro alto, não viu estrelas e nem naves, só um escuro pronfundo e belo. Olhou o horizonte, viu o sol, na mesma altura, como nunca tinha visto, é bem diferente vê-lo numa praia, ali pareceia ter mais vida e mais sentido, parecia sorrir, como se quisesse encantar e contar segredos divinos.
Aquilo tudo era belíssimo, Alice estava maravilhada com aquilo que estava vivendo, sabia que era privilegiada, a maior parte das pessoas não podia viver aquilo, mas ela estava ali, no céu, vivendo algo magnífico, com seu corpo leve, suave, cheio de boas energias.
Começou a descer, em queda livre, um forte vento no rosto. Apesar de saber que nada de grave iria acontecer, sentiu um certo medo, mas estava gostando, era um mergulho num céu azul e limpo, nenhuma aventura radical se comparava àquilo. Foi descendo até voltar ao ponto mais alto da cidade.
Foi uma das melhores experiência que Alice lembra ter tido nesta vida, não foi a primeira e nem a última, mas foi especial, sentiu algo especial, uma presença marcante no coração. A oração trouxe algo especial, como se um anjo estivesse ali, fazendo sentir forte a sua presença.
Ainda não era o fim, naquele lugar, naqueles becos, Alice viveu outras experiências, não tão boas. Nem só de belezas essas experiências são feitas, mas isto é algo pra se contado numa outra oportunidade.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
As ilusões dos pensamentos e a beleza da realidade.
Quem precisa de chuva pra inspiração, precisa do verão. A chuva de inverno é fraca e rara, no verão há tempestades, possibilidades de boas metáforas, melhores emoções, mais intensas; a força da tempestade deixa tudo mais profundo.
Depois de passar a manhã e parte da tarde na casa de um amigo, Mauro resolveu ver o a mar, sentir a energia que dele emana. Sentou-se na calçada, observou o mar, o sol, as pessoas. Entendia que para aproveitar aquilo tudo deveria estar presente, ter consciência o tempo de todo de quem era, de onde estava, porquê estava ali; precisava estar atento a tudo que estava fora e dentro. Enquanto durou, foi maravilhoso, pode aproveitar cada raio de sol em seu rosto, cada rajada de vento em seus pêlos, cada beleza que passava em sua frente. Entretanto, nossa vontade é fraca, nossa consciência é frágil, basta um fato qualquer e os pensamentos tomam conta.
Um carro passou e levou Mauro junto. A música que tocava fez com que pensasse numa mulher que gostava, nos momentos que passou com ela, o medo que teve de se declarar, pensou como seria se o tivesse feito, nos beijos, nos abraços; a lembrança dessa mulher o levou a um sítio, um final de semana com os amigos, a possibilidade de um novo encontro, desta vez namorando a tal mulher; a lembraça do sítio o levou a um show que marcou com os amigos no dia seguinte ao sítio, mas não pode ir. A mente nunca pára de trabalhar, foram várias lembranças, desejos, projeções, alegrias, frustrações, pensamentos, etc.
O céu escuro ainda de dia, ondas batendo, o vento soprando forte, pingos caindo aos poucos e a chuva se fez presente. Mauro nem percebeu os primeiros pingos, os passos apressados das pessoas fugindo da chuva trouxeram a mente de Mauro de volta. Olhou o céu escuro, as praia vazia, um outro cenário. Enquanto sua mente vivia na ilusão, ele perdeu toda a beleza real que estava em sua volta. Perdeu o Sol passeando no céu, o barulho das ondas, as meninas que passavam ali - uma, inclusice, o encarou por um bom tempo -, as nuvens negras chegando, os trovões - belos são os trovões, parecem cantar exclusivamente pra alma -, tudo porque o pensamento estava longe, sua alma não estava presente.
Pôde, ainda, perceber um pouco de tudo aquilo; viu a chuva aumentar, alguns saindo da praia correndo, as meninas molhadas. Sentiu cada pingo caindo. Ficou sentado por um tempo, queria aproveitar um pouco o que a mente havia lhe roubado: toda a beleza de estar ali.
Levantou-se e foi embora. A chuva e o mar renovam as energias. Estava feliz.
(Queila Maria e Rui Felipe )
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
A chuva e o encontro da felicidade
Era um dia típico de verão no Rio de Janeiro; sol forte e anúncio de tempestade. É interessante como duas maravilhas do tempo ficam lado a lado; de um lado o sol queimando com força, do outro, nuvens negras, trovões e a tão maravilhosa chuva chegando, junto com a ela a promessa de alma lavada.
Karla estava sentada na areia, olhando o horizonte, olhando o mar. Em suas viagens fez uma analogia entre o mar e a alma. Podemos pegar um barco e navegar por todos os oceanos, mares, lagos e rios, ainda assim, existira mistério no fundo de cada lugar, na beira, em volta. Ela poderia se conhecer, se analisar, se estudar, mas ainda assim, existiram coisas que não poderia conhecer sem os equipamentos certos, como se não pudesse conhecer o fundo do oceano, seus seres, encantos, magias e vida.
Ela andava triste, nenhum motivo aparente, só um vazio que todos carregamos. Preenchemos este vazio de várias formas: Ideologias, sonhos, lutas, pensamentos, etc. Pode ser o futebol, a moda, a música, a religião, a bebida, drogas, etc. Em alguns estas coisas não são suficiente, o vazio continua; e isso é bom, nos dá o indício de que devemos procurar algo superior.
O sol ia perdendo espaço pras nuvens, e Karla observava aquilo com brilho nos olhos. A chuva eminente dessipava a tristeza, o vento ero o encarregado de levar pra longe, a tempestade trazia consigo boas energias.
Cairam os primeiros pingos, fortes, como que querendo fixar vibrações novas na alma de Karla. Fechou os olhos, abriu os braços, sentiu o vento, sentiu-se no céu; talvez estivesse, o mundo é algo surpreendente. Correu até a sua bicicleta, colocou o fone e pedalou. Pedalava pela rua como uma criança feliz, ouvia uma música linda, uma letra linda, uma melodia linda; ela não sabia explicar o que acontecia, mas era algo profundo. A pessoas olham aquela louca passar, sorrido de forma estranha, cantando alto; todos se abrigaram em algum lugar coberto, mas ela queria era se molhar, nada mais importava.
A chuva cumpriu sua promessa, a alma estava lavada. Era uma felicidade que nunca havia sentido antes. Não tinha encontrado o homem dos sonhos, não tinha ganho na loteria, não conseguiu um bom emprego, não tinha comprado ingresso pra sua banda favorita que iria tocar no Brasil pela primeira vez, não tinha passado no vestibular, apenas estava tomando banho de chuva.
Chegou em casa em estado de êxtase. Não ligou pra bronca que levou da mãe, até concordou; não se importou com a implicância do irmão mais novo, até achou bonitinho. Deu um beijo em cada um e foi pro quarto, colocou uma música new age e deitou na cama. Pensou no momento que tinha acabado de viver, como algo tão simples a fez sentir uma alegria sem tamanho; começou a repensar o conceito de felicidade.
Anoiteceu. Karla queria ver a lua, mas está se escondeu atrás das nuvens, queria que Karla as visse e lembrasse da tarde maravilhosa. Mas a lua não se escondeu por muito tempo, também queria ver de frente o estado mágico que ainda restava na alma de Karla. Aquela lua linda e brilhante iluminou todo o quarto, deu mais sentido à música baixa, e fez Karla pensar. O vazio novamente se fez presente, ela sabia que nunhum dos itens acima citados a fariam feliz como esteve naquele dia, e quis descobrir como sentir aquilo novamente.
Acordou com os pássaros cantando, o sol brilhando no chão, um vento leve e um sorriso calmo no rosto. Percebeu que a felicidade está além das coisas deste mundo, que toda alegria conseguida aqui não é maior do que a felicidade na alma. Decidiu buscar esta felicidade, não sabia aonde, mais iria encontrar um mode de tê-la de forma permanente. Começava ali a maior e mais importante busca das vidas de Karla, agora ela buscava o cosmo, buscava se fundir com o universo, busca a verdadeira paz eterna, buscava a paz interna, buscava voltar ao seio da mãe natureza.
Karla estava sentada na areia, olhando o horizonte, olhando o mar. Em suas viagens fez uma analogia entre o mar e a alma. Podemos pegar um barco e navegar por todos os oceanos, mares, lagos e rios, ainda assim, existira mistério no fundo de cada lugar, na beira, em volta. Ela poderia se conhecer, se analisar, se estudar, mas ainda assim, existiram coisas que não poderia conhecer sem os equipamentos certos, como se não pudesse conhecer o fundo do oceano, seus seres, encantos, magias e vida.
Ela andava triste, nenhum motivo aparente, só um vazio que todos carregamos. Preenchemos este vazio de várias formas: Ideologias, sonhos, lutas, pensamentos, etc. Pode ser o futebol, a moda, a música, a religião, a bebida, drogas, etc. Em alguns estas coisas não são suficiente, o vazio continua; e isso é bom, nos dá o indício de que devemos procurar algo superior.
O sol ia perdendo espaço pras nuvens, e Karla observava aquilo com brilho nos olhos. A chuva eminente dessipava a tristeza, o vento ero o encarregado de levar pra longe, a tempestade trazia consigo boas energias.
Cairam os primeiros pingos, fortes, como que querendo fixar vibrações novas na alma de Karla. Fechou os olhos, abriu os braços, sentiu o vento, sentiu-se no céu; talvez estivesse, o mundo é algo surpreendente. Correu até a sua bicicleta, colocou o fone e pedalou. Pedalava pela rua como uma criança feliz, ouvia uma música linda, uma letra linda, uma melodia linda; ela não sabia explicar o que acontecia, mas era algo profundo. A pessoas olham aquela louca passar, sorrido de forma estranha, cantando alto; todos se abrigaram em algum lugar coberto, mas ela queria era se molhar, nada mais importava.
A chuva cumpriu sua promessa, a alma estava lavada. Era uma felicidade que nunca havia sentido antes. Não tinha encontrado o homem dos sonhos, não tinha ganho na loteria, não conseguiu um bom emprego, não tinha comprado ingresso pra sua banda favorita que iria tocar no Brasil pela primeira vez, não tinha passado no vestibular, apenas estava tomando banho de chuva.
Chegou em casa em estado de êxtase. Não ligou pra bronca que levou da mãe, até concordou; não se importou com a implicância do irmão mais novo, até achou bonitinho. Deu um beijo em cada um e foi pro quarto, colocou uma música new age e deitou na cama. Pensou no momento que tinha acabado de viver, como algo tão simples a fez sentir uma alegria sem tamanho; começou a repensar o conceito de felicidade.
Anoiteceu. Karla queria ver a lua, mas está se escondeu atrás das nuvens, queria que Karla as visse e lembrasse da tarde maravilhosa. Mas a lua não se escondeu por muito tempo, também queria ver de frente o estado mágico que ainda restava na alma de Karla. Aquela lua linda e brilhante iluminou todo o quarto, deu mais sentido à música baixa, e fez Karla pensar. O vazio novamente se fez presente, ela sabia que nunhum dos itens acima citados a fariam feliz como esteve naquele dia, e quis descobrir como sentir aquilo novamente.
Acordou com os pássaros cantando, o sol brilhando no chão, um vento leve e um sorriso calmo no rosto. Percebeu que a felicidade está além das coisas deste mundo, que toda alegria conseguida aqui não é maior do que a felicidade na alma. Decidiu buscar esta felicidade, não sabia aonde, mais iria encontrar um mode de tê-la de forma permanente. Começava ali a maior e mais importante busca das vidas de Karla, agora ela buscava o cosmo, buscava se fundir com o universo, busca a verdadeira paz eterna, buscava a paz interna, buscava voltar ao seio da mãe natureza.
sábado, 28 de novembro de 2009
Perco memória
dizem por aí que não ando bem
queimei o arroz
passei do ponto
perdi a hora
perco tudo, às vezes parece que perco a memória
bate uma brisa e leva tudo
esqueço do arroz
da dor e do amor
e deixo pra depois
esqueço que não ando bem
e fico feliz
( Queila e Rui )
queimei o arroz
passei do ponto
perdi a hora
perco tudo, às vezes parece que perco a memória
bate uma brisa e leva tudo
esqueço do arroz
da dor e do amor
e deixo pra depois
esqueço que não ando bem
e fico feliz
( Queila e Rui )
a luta do guerreiro / corpo x alma
Uma alma despejada procura um novo lar
Em campo aberto, somos vulneráveis
Qualquer canhão, qualquer flecha é letal
Ferido, o esnobe torna-se humilde
Eis aqui o guerreiro. Imprudente, imperito
Derrotado, humilde e sobras de orgulho
Contradições de estruturas complexas
Finge não ter dor, não ter ferimento
Não é ator, é confuso
Confusão que compromete atos
E transparece as intenções
Confuso, o guerreiro não sabe se se entrega ou se foge
aí trava-se outra batalha:
o corpo e a alma
corpo cansado, quer cair e sentir
alma cansada, quer fugir e transcender
Em campo aberto, somos vulneráveis
Qualquer canhão, qualquer flecha é letal
Ferido, o esnobe torna-se humilde
Eis aqui o guerreiro. Imprudente, imperito
Derrotado, humilde e sobras de orgulho
Contradições de estruturas complexas
Finge não ter dor, não ter ferimento
Não é ator, é confuso
Confusão que compromete atos
E transparece as intenções
Confuso, o guerreiro não sabe se se entrega ou se foge
aí trava-se outra batalha:
o corpo e a alma
corpo cansado, quer cair e sentir
alma cansada, quer fugir e transcender
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
O fim de uma raça.
Passou um tempo desde a última catástrofe. Havia cicatrizes na alma das pessoas, mas a vida continua, mesmo que alguns insistam em sentir o passado - por alegria ou tristeza - o tempo segue em frente. Era um mundo novo; novas terra, novas potências, nova economia, novas religões, ciência, conceitos e filosofias - claro, tudo com resquício do antigo, nada de totalmente novo surge, sempre há uma mistura com o passado. Enfim, novos paradigmas, novo modo de viver.
Ana estava observando o céu, um céu com azul fosco, em nada lembra o azul vivo que lera nos livros; imaginou como seria. Lembrou de um livro do ano de 1997 no qual a autora dizia ter lembranças de outras vidas, e que o céu de sua época era morto, em nada lembrava o azul pulsante de suas vidas passadas. Ana imaginou como seria o céu em 1997, se era como via nas fotos ou se seria mais real, mais emocionante. Depois da grande noite o céu perdeu muito de sua vida; três dias de noite contínua alterou a estrutura da terra e das pessoas. Ana era nova mas lembrava; desespro, suicído em massa, muitas orações; dias dificeis.
Já tinha observado o suficente. Hora de ir trabalhar. Usou mais uma vez seu cilindro de oxigênio, vestiu a máscara e saiu de casa. O ar era muito poluído. O homem não souber preservar a terra que se tornou um lugar muito difícil de se viver.
Andando pela rua Ana percebeu algumas pessoas olhando para o alto, virou-se para olhar e ficou surpresa. Havia algo brilhando, como um segundo sol. Ficou com medo do que iria acontecer dessa vez. Muitas catástrofres e acontecimentos estranhos ocorreram ao longo do século. Lembrou de uma música antiga que dizia assim: "quando o segundo sol chegar...". Certa vez leu a história da composição da música. O autor tinha uma amiga esotérica que disse que um dia um segundo sol surgiria no céu; no início ele ironizou e disse:
- Como assim? Mas a Nasa e os governos não disseram nada.
Depois repensou a questão e fez a música, em respeito a crença de sua amiga.
Não demorou e todas as pessoas foram pra rua ver o que estava acontecendo. Alguns tinham a esperança de ser um novo começo, outros com o medo de ser o fim. O governo pedia calma nos meios de comunicação, mas pouco adiantava.
Uma mulher se aproximou de Ana e disse:
- É o fim, agora falta pouco. Este é o tal planeta X que muitos falaram, deram diversos nomes, e hoje se faz visível. É este. Enfim, chega o fim de mais uma raça. No futuro nossa humanidade será só uma lenda. A história de um povo que foi destruído por ter ser tornado tão perverso, assim como a Atlântida. Não há muito tempo, não há o que fazer.
Ana olhou aquela mulher, pensou em suas palavras, refletiu. Talvez aquilo fosse o melhor, talvez fosse preciso para poder surgir uma nova humanidade. Para o novo nascer é preciso o velhor morrer.
Ana estava observando o céu, um céu com azul fosco, em nada lembra o azul vivo que lera nos livros; imaginou como seria. Lembrou de um livro do ano de 1997 no qual a autora dizia ter lembranças de outras vidas, e que o céu de sua época era morto, em nada lembrava o azul pulsante de suas vidas passadas. Ana imaginou como seria o céu em 1997, se era como via nas fotos ou se seria mais real, mais emocionante. Depois da grande noite o céu perdeu muito de sua vida; três dias de noite contínua alterou a estrutura da terra e das pessoas. Ana era nova mas lembrava; desespro, suicído em massa, muitas orações; dias dificeis.
Já tinha observado o suficente. Hora de ir trabalhar. Usou mais uma vez seu cilindro de oxigênio, vestiu a máscara e saiu de casa. O ar era muito poluído. O homem não souber preservar a terra que se tornou um lugar muito difícil de se viver.
Andando pela rua Ana percebeu algumas pessoas olhando para o alto, virou-se para olhar e ficou surpresa. Havia algo brilhando, como um segundo sol. Ficou com medo do que iria acontecer dessa vez. Muitas catástrofres e acontecimentos estranhos ocorreram ao longo do século. Lembrou de uma música antiga que dizia assim: "quando o segundo sol chegar...". Certa vez leu a história da composição da música. O autor tinha uma amiga esotérica que disse que um dia um segundo sol surgiria no céu; no início ele ironizou e disse:
- Como assim? Mas a Nasa e os governos não disseram nada.
Depois repensou a questão e fez a música, em respeito a crença de sua amiga.
Não demorou e todas as pessoas foram pra rua ver o que estava acontecendo. Alguns tinham a esperança de ser um novo começo, outros com o medo de ser o fim. O governo pedia calma nos meios de comunicação, mas pouco adiantava.
Uma mulher se aproximou de Ana e disse:
- É o fim, agora falta pouco. Este é o tal planeta X que muitos falaram, deram diversos nomes, e hoje se faz visível. É este. Enfim, chega o fim de mais uma raça. No futuro nossa humanidade será só uma lenda. A história de um povo que foi destruído por ter ser tornado tão perverso, assim como a Atlântida. Não há muito tempo, não há o que fazer.
Ana olhou aquela mulher, pensou em suas palavras, refletiu. Talvez aquilo fosse o melhor, talvez fosse preciso para poder surgir uma nova humanidade. Para o novo nascer é preciso o velhor morrer.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Vidas
Marcelo, 22 anos, 1,80 de altura, pele clara, cabelo loiro, curto, magro, boa aparência. Era uma pessoa complicada, não trabalhava, não estudava. Vivia a reclamar da vida, sempre procurando alguém pra chorar seus lamentos; reclama da vida, da família, da falta de emprego, das desilusões amorosas. Andava sempre em rodas de samba, levava consigo um violão e uns trocados pra bebida. Era uma pessoa muito depressiva, às vezes falava em se matar. Curiosamente, seus amigos eram esperançosos, viam sempre o lado bom da vida, e era estranho como Marcelo convivia com eles, já que as pessoas se atraem por vibrações. Vai ver era um forma de seus amigos fazerem algo por Deus, ajudando ao próximo de alguma forma.
Certa noite, de poucas bebidas, nenhuma mulher e muita depressão, Marcelo resolveu se matar, como já havia pensado outras vezes, mas dessa vez a vontade ganhou força.
Temos vontades más em nós que se manifestam de forma sutíl, é aquela vozinha na cabeça, aquele sentimento estranho, a vontade de matar alguém, a vontade de não viver. Por vezes, a vontade ganha força e terminamos fazendo algo do qual nos arrependemos, e às vezes não tem vota. Quantos são os casos de pessoas que agrediram e até matram alguém num momento de fúria, e depois se arrependeram, profundamente?
Marcelo conseguiu uma arma e se matou. Remoeu-se em seus dramas, seus problemas que não eram problemas, seus complexos, suas frustrações. Colocou a culpa na sociedade, em Deus, etc. Chorou e clamou inocência, sentiu-se vítima do mundo.
Antônio tinha uma banda de rock, uma namorada que amava, fazia faculdade e tinha um ótimo estágio. Foi um adolescente complicado; problemas com a família, com a bebida, com depressão, mas as coisas mudaram, tudo estava dando certo. Estava com muita vontade de viver, tinha esperança na vida. Gostava muito dos seus amigos, todas estavam sempre com o astral pra cima e isso fazia bem pra ele.
Antônio saia tarde da faculdade e numa dessas noites foi surpreendido por um tiroteio, uma bala acertou sua cabeça.
Antônio, 22 anos, 1,80 de altura, pele clara, cabelo loiro, longo, magro, boa aparência. Gostava de viver, tinha muitos planos, mas o curso de sua vida foi interrompido.
Há que diga que a vida é um acaso, outros acreditam que tudo tem motivo. Uns vão dizer que a culpa foi do tráfico, da polícia, da sociedade, etc. Outos vão dizer que tinha que acontecer, era seu destino, seu karma.
Certa noite, de poucas bebidas, nenhuma mulher e muita depressão, Marcelo resolveu se matar, como já havia pensado outras vezes, mas dessa vez a vontade ganhou força.
Temos vontades más em nós que se manifestam de forma sutíl, é aquela vozinha na cabeça, aquele sentimento estranho, a vontade de matar alguém, a vontade de não viver. Por vezes, a vontade ganha força e terminamos fazendo algo do qual nos arrependemos, e às vezes não tem vota. Quantos são os casos de pessoas que agrediram e até matram alguém num momento de fúria, e depois se arrependeram, profundamente?
Marcelo conseguiu uma arma e se matou. Remoeu-se em seus dramas, seus problemas que não eram problemas, seus complexos, suas frustrações. Colocou a culpa na sociedade, em Deus, etc. Chorou e clamou inocência, sentiu-se vítima do mundo.
Antônio tinha uma banda de rock, uma namorada que amava, fazia faculdade e tinha um ótimo estágio. Foi um adolescente complicado; problemas com a família, com a bebida, com depressão, mas as coisas mudaram, tudo estava dando certo. Estava com muita vontade de viver, tinha esperança na vida. Gostava muito dos seus amigos, todas estavam sempre com o astral pra cima e isso fazia bem pra ele.
Antônio saia tarde da faculdade e numa dessas noites foi surpreendido por um tiroteio, uma bala acertou sua cabeça.
Antônio, 22 anos, 1,80 de altura, pele clara, cabelo loiro, longo, magro, boa aparência. Gostava de viver, tinha muitos planos, mas o curso de sua vida foi interrompido.
Há que diga que a vida é um acaso, outros acreditam que tudo tem motivo. Uns vão dizer que a culpa foi do tráfico, da polícia, da sociedade, etc. Outos vão dizer que tinha que acontecer, era seu destino, seu karma.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
"Quando a dor se aproxima
Fazendo eu perder a calma
Passo uma esponja de rimas
Nos ferimentos da alma
O espetáculo não pode parar"
( Cordel do fogo encantado)
Fazendo eu perder a calma
Passo uma esponja de rimas
Nos ferimentos da alma
O espetáculo não pode parar"
( Cordel do fogo encantado)
Vidas e vidas e mais vidas
Muda o figurino
O roteiro continua
Muda o figurino
O roteiro continua
Tramas e mais tramas
Alegrias e dramas
Alegrias e dramas
Escondem uma verdade nua
É tudo um vício
Ilusão no precipício
Ilusão no precipício
Efêmeros amores de rua
Maravilhado pela história
Sem saber que é velha releitura
Sem saber que é velha releitura
Onde repetidamente atua
Liberte-se
Deixe de ser marionete
Liberte-se
Deixe de ser marionete
Conhece a realidade crua
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Escrevo 2
Escrevo pra passar o tempo
Escrevo por tédio, por alegria
Por inspiração, por emoção
Escrevo pra passar verdades, ou contar mentiras
Não que queira mentir
Muitas das verdades são irreais
Escrevo pra enganar os outros e pra me convencer
Pra convencer os outros
Escrevo por orgulho banal
Pra parecer inteligente
Por vontade vacilante
Porque acho bonitinho
Por vezes escrevo pra disfarçar
Eu sou assim... Escrevo pra me mostrar de besta. Porque o meu poema redime o meu lado mau
E preenche minha alma vaga
Porque a poesia torna o dia florido – quando quero, quando posso –
Só pra disfarçar
Encantar, enganar
E, sinceramente, tentar levar um pouco de luz ao mundo
E ver se ascende qualquer coisa em mim
( Thaise de Melo e Rui Felipe )
Escrevo por tédio, por alegria
Por inspiração, por emoção
Escrevo pra passar verdades, ou contar mentiras
Não que queira mentir
Muitas das verdades são irreais
Escrevo pra enganar os outros e pra me convencer
Pra convencer os outros
Escrevo por orgulho banal
Pra parecer inteligente
Por vontade vacilante
Porque acho bonitinho
Por vezes escrevo pra disfarçar
Eu sou assim... Escrevo pra me mostrar de besta. Porque o meu poema redime o meu lado mau
E preenche minha alma vaga
Porque a poesia torna o dia florido – quando quero, quando posso –
Só pra disfarçar
Encantar, enganar
E, sinceramente, tentar levar um pouco de luz ao mundo
E ver se ascende qualquer coisa em mim
( Thaise de Melo e Rui Felipe )
domingo, 4 de outubro de 2009
Escrevo
"Eu sou assim... Escrevo pra me mostrar de besta. Porque o meu poema redime o meu lado mau."
( Thaise de Melo )
( Thaise de Melo )
sábado, 3 de outubro de 2009
Dê a outra face.
Mateus 5: 38-39
“Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra”
Está é uma linda passagem da bíblia. Poderíamos refletir bastante em cima dela. Claro, uma frase simbólica; não quer dizer que vamos andar por aí virando o rosto para todo mundo bater.
Somos seres saturados de diversos tipos de orgulhos. Quase sempre pensamos o melhor de nós e o pior dos outros, e não percebemos nossos próprios defeitos. Isso faz com que vivamos no “olho por olho, dente por dente”.
Mateus 7:3
“E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?”
Podemos viver de forma mais tranqüila se passarmos a não dar tanta importância para as coisas, afinal, tudo passa mesmo e só fica as modificações em nossa alma.
Em uma discussão todos os lados julgam ter razão, pensam estar certos, porque enxergam apenas o próprio ponto de vista; às vezes, realmente, temos razão, mas será que vale a pena brigar por tudo, mesmo sendo esta luta justa? Por vezes podemos perder algo pra ganhar coisa maior; perdemos agora para ganhar mais na frente.
Um exemplo bem simples: Andando pela rua alguém esbarra na gente ou pisa em nosso pé. Digamos que erro foi da outra pessoa. Por não somos nós a pedir desculpa? E se esta outra pessoa, mesmo errada, julga-nos e passa a esbravejar, como se tivesse razão, vale à pena discutir? Quantas mortes nos noticiários que foram causadas por uma simples discussão, uma pisada de pé num ônibus, uma briga no trânsito? Se levou uma fechada, mas não danificou o carro e não houve prejuízo, vá embora. O que ganha xingando e gritando, além de engordar a própria ira, o próprio ego?
Obviamente, muitas vezes devemos nos impor, lutar por algo certo; não devemos ser bobos e passados pra trás o tempo todo. Mas vamos analisar cada caso, ver a situação, pensar se vale à pena. A vida pode ser mais leve se agimos desta forma; sufocando nossos defeitos – orgulho, ira, etc. – e dando espaço para a consciência.
Somos a soma de nossas ações em várias vidas. Ações boas e ruins.
“Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor...
Levo a vida devagar pra não faltar amor...
... Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz”
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz”
Los Hermanos
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