quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Vidas

  Marcelo, 22 anos, 1,80 de altura, pele clara, cabelo loiro, curto, magro, boa aparência. Era uma pessoa complicada, não trabalhava, não estudava. Vivia a reclamar da vida, sempre procurando alguém pra chorar seus lamentos; reclama da vida, da família, da falta de emprego, das desilusões amorosas. Andava sempre em rodas de samba, levava consigo um violão e uns trocados pra bebida. Era uma pessoa muito depressiva, às vezes falava em se matar. Curiosamente, seus amigos eram esperançosos, viam sempre o lado bom da vida, e era estranho como Marcelo convivia com eles, já que as pessoas se atraem por vibrações. Vai ver era um forma de seus amigos fazerem algo por Deus, ajudando ao próximo de alguma forma.
  Certa noite, de poucas bebidas, nenhuma mulher e muita depressão, Marcelo resolveu se matar, como já havia pensado outras vezes, mas dessa vez a vontade ganhou força.
  Temos vontades más em nós que se manifestam de forma sutíl, é aquela vozinha na cabeça, aquele sentimento estranho, a vontade de matar alguém, a vontade de não viver. Por vezes, a vontade ganha força e terminamos fazendo algo do qual nos arrependemos, e às vezes não tem vota. Quantos são os casos de pessoas que agrediram e até matram alguém num momento de fúria, e depois se arrependeram, profundamente?
   Marcelo conseguiu uma arma e se matou. Remoeu-se em seus dramas, seus problemas que não eram problemas, seus complexos, suas frustrações. Colocou a culpa na sociedade, em Deus, etc. Chorou e clamou inocência, sentiu-se vítima do mundo.

   Antônio tinha uma banda de rock, uma namorada que amava, fazia faculdade e tinha um ótimo estágio. Foi um adolescente complicado; problemas com a família, com a bebida, com depressão, mas as coisas mudaram, tudo estava dando certo. Estava com muita vontade de viver, tinha esperança na vida. Gostava muito dos seus amigos, todas estavam sempre com o astral pra cima e isso fazia bem pra ele.
   Antônio saia tarde da faculdade e numa dessas noites foi surpreendido por um tiroteio, uma bala acertou sua cabeça.
  Antônio, 22 anos, 1,80 de altura, pele clara, cabelo loiro, longo, magro, boa aparência. Gostava de viver, tinha muitos planos, mas o curso de sua vida foi interrompido.


  Há que diga que a vida é um acaso, outros acreditam que tudo tem motivo. Uns vão dizer que a culpa foi do tráfico, da polícia, da sociedade, etc. Outos vão dizer que tinha que acontecer, era seu destino, seu karma.

4 comentários:

Rodrigo Cavaleiro disse...

Isso dá força aquelas frases: Viva o hoje, como se fosse o ultimo.

De certa forma eu discordo. Não há também como sabermos de planos superiores ou inferiores atuando sobre nós.
É certamente em nosso julgamento injusto, incorreto, triste...
Mas, quem somos nós?

Cada vida, tem seu valor, e a única certeza da vida é que ela um dia será interrompida. Mas juizo, isso não justifica atos sem pensar...

Rafa disse...

Viva la vida em?

Muito boa cronica kra

http://cemiteriodaspalavrasperdidas.blogspot.com/2009/11/claudinho-e-buchecha-e-o-misterio-da.html

Verbal Kahn disse...

ou simplesmente as duas coisas

http://verbalkahn.blogspot.com/

Anakel disse...

Cada vez mais acredito no Grande poder do ACASO... rsrsrs

Cara tah fera aqui o blog... não tinha visto ainda esses posts.. vou ler mais um pouquinho....

Afinal por que tudo tem que ter explicação? Talvez sejamos só uma piadinha do Universo... ;)