sexta-feira, 5 de março de 2010

Emuê

 
   Esta é uma curta passagem da longa jornada de Emuê.


   Emuê é meio homem, meio pássaro, meio animal, meio peixe, meio planta, meio duende, meio fada-macho, meio matéria, meio energia, meio ar, terra, água e fogo, meio eu e meio você. Na verdade, não sei ao certo o que ele é, mas imagino um pouco disso tudo aí, inclusive, você.
   Aqui, tudo gira em torno dos dois copos que foram oferecidos a Emuê – ou que servem de desculpa pra história -: um copo com suco de cacto e outro com vinho e mel.  Por vezes, erramos tentando acertar e acertamos querendo errar. Emuê tomou o copo com suco de cacto e dispensou o outro que, embora não oferecido explicitamente, ele sabia que podia tomar. Se a minha má matemática não me derrubar, quatro eram as possibilidades: nada tomar, tomar o suco de cacto, tomar o vinho com mel ou tomar ambos.
   Quem pos os copos foi Helena... não! Nós a chamaremos de Maria. Ou a chamaremos de Isis?!? São muitos nomes e todos querem dizer a mesma coisa, é que não costumo usar nomes originais. Pois bem! Meus pensamentos fizeram uma votação – há suspeita de compra de voto -, Maria foi o nome escolhido.
  Quem pos os copos foi Maria, a bruxa Maria, ela colocou o copo com suco de cacto em cima da mesa e disse:
  - Tome, Emuê, lhe fará bem.
  Emuê, errante caminhante, tinha sede, não gostava de cacto, mas como não queria provar o vinho com mel, por achar que lhe faria mal, tomou o suco de cacto.
  Enquanto Emuê bebia, Maria dançava. Colocou uma bela música hipnotisante, uma roupa atraente e dançou, dançou e cantou. Todos os seus movimentos, cantos e olhares, apontavam pro copo de vinho com mel que estava no chão, ao seu lado. Ele observou atentamente a cada movimento, cada olhar, cada detalhe no corpo da bruxa; era linda, muito linda, sua beleza escondia seus cabelos de cobra e sua mente terrível, embora os desejos fossem sinceros.
  Talvez, tomar o vinho com mel de Maria fosse a solução pra fugir do fogo que o perseguia; às vezes um mal menor cura um mal maior.
   Antes de estar na casa de Maria, Emuê esteve em um condado, onde encontrou muitas bruxas. Apaixonadas por ele prepararam um grande banquete: frutas, carnes, bebidas, etc. Tinha de tudo. Queriam agradar Emuê, queriam que ele morasse ali, mas emuê não queria. Com muita insistência, aceitou ficar por algumas noites, à beira de uma fogueira. Mas elas queriam mais, bruxas querem sempre mais, queriam consumir Emuê em seus fogos.
   Fizeram uma grande conjuração, um grande ritual, invocaram um demônio, dele pediram um grande poder de fogo e lançaram contra Emuê. Ele correu desesperado, aquele fogo, aquela fumaça, eram sufocantes. Alguns animais ajudaram na fuga, como pena tiveram parte da floresta queimada. As bruxas enviaram alguns soldados, mulheres guerreiras, pra capturar Emuê, que com muita luta conseguiu esvair-se, e chegou à montanha, num vilarejo, onde foi pedir abrigo na casa da Bruxa Maria. Na fuga, entre galhos queimados, lanças e flechas, Emuê pisou e matou uma formiga e um caracol, pondo fim em suas buscas e numa fábula que contaria uma história: “A formiga sonhadora e caracol corredor”. O livro jamais virá a ser escrito. Que o conto de emuê valha a pena.
   As bruxas foram gananciosas, podiam tê-lo por algumas noites, mas quiseram para todo o sempre; apenas o absoluto vive para todo o sempre. Ele beberia e comeria por uns dias no condado, antes de seguir viagem, mas agora estava lá, no vilarejo, na casa de Maria, sedento e faminto.
  Enquanto Maria dançava, Emuê bebia aquele suco ruim e pensava; foi difícil pensar com a bruxa e seus movimentos. Poderia tomar o vinho com mel, o néctar maravilhoso das bruxas, embriagar-se em sua música, navegar em seus desejos, no seu olhar venenoso, fazer dos seus abraços nuvens serenas num mar de tormentas; merecido presente depois de tanto sufoco que passou. E, tocado pela bruxa do vilarejo, seria rejeitado pelas bruxas do condado, o perigo seria, então, não mais fugir de seus fogos, mas escapar de suas fúrias, o que seria mais perigoso, mas menos angustiante. Maria poderia ter posto um feitiço no vinho com mel, ao invés de ficar preso no condado, ficaria preso no vilarejo, seria o fim da jornada. O feitiço poderia estar no cacto que bebia, que era de péssimo gosto, mas bebia em agradecimento a boa recepção que teve; as bruxas são cheias de artimanhas. Ele tinha fome, sabia que com o vinho com mel viria um grande pedaço de carne assada, tinha comido bem no condado, mas a perseguição o deixou com muita fome.
   Emuê resistiu bem, apreciou os encantos da bruxa, mais não caiu em sua hipnose. Tentou distrair-se contando à bruxa os caminhos de sua aventura, seus desejos, idéias e objetivos. Maria também contou suas aventuras, desejos, idéias e objetivos. Emuê não tirava os olhos do vinho com mel, bebia o cacto como remédio, como forma de esquecer.
   Vendo que Emuê não cederia aos seus encantos, Maria tentou uma outra estratégia. Disse a Emuê que ele precisava ir, pois não queria enfrentar as fúrias das bruxas do condado, este era um fardo só dele, além do mais, tinha seus afazeres, feitiços pra preparar, a horta pra cuidar e precisa voar em sua vassoura. Com toda delicadeza, levantou-se, abriu a porta e disse:
- Vá, Emuê, já está na hora, já descansou, já matou a cede, é hora de ir.
Mas o corpo e os olhos da bruxa diziam:
- O que espera? Beba o vinho com mel, beba tudo, saboreie cada gota, basta você pegar.
   Emuê não queria ir embora, olhava atentamente os olhos da bruxa e o copo com vinho e mel, se recusou a ir embora.
   Um sino tocou, era o sino da igrejinha do vilarejo, e sempre que o sino tocava algumas bruxas do condado visitavam o vilarejo, iam tratar de diversos assuntos. Dessa vez Maria falou sério, mandou Emuê ir embora, ordenou que saísse pela porta dos fundos. Não queria problemas com as bruxas do condado, até porque, Emuê não teria tempo de tomar do o copo de vinho com mel. Ele ainda ouviu o som das bruxas do condado enquanto escapava pelos fundos.
    No caminho de volta à sua jornada, encontrou algumas bruxas do condado. Além do fogo, teve que enfrentar suas fúrias, agora sem ajuda dos animais, talvez dos Deuses. Livrou-se rapidamente das fúrias, mas o fogo continuou a persegui-lo. E assim teve que continuar sua jornada, enfrentando os grandes desafios e fugindo do fogo que o perseguia.

   Se tivesse provado o néctar das bruxas, mesmo com todo o perigo, estaria livre o fogo das bruxas do condado. Provou o suco ruim de cacto e negou o néctar de Maria; mais um entre tantos possíveis erros durante sua jornada.
   A vida é feita de escolhas, sempre há uma escolha, sempre há um caminho alternativo, e nunca sabemos aonde vamos chegar. As escolhas de Emuê o levaram até ali, a escolha pelo suco de cacto o levará a um certo lugar, que ele não sabe, eu não sei e você também não sabe.
   Talvez o néctar o transformasse numa águia, num tigre, num golfinho; talvez o ajudasse bastante em sua jornada. Não sabemos como Maria preparou o néctar das bruxas, e qual seria o resultado dela.


   Está é uma curta passagem da longa jornada de Emuê, que ainda não fiz, não pensei, mas que existe em algum lugar dentro de mim, dentro do universo, que talvez eu descubra um dia e passe prum livro, ou que ficará eternamente oculta.

quinta-feira, 4 de março de 2010

O rapaz da camisa listrada.

 



   Entre os vários empecilhos à paixão estão a família, o status, a classe social, a cor, a distância, a religião, as idéias, a idade, os amigos, os inimigos e a roupa.

   Ele a encontrou num dia de chuva, embaixo de uma lona, num forró, esperando a chuva passar. Rapaz atirado, sem vergonha e mulherengo; com sua inseparável bicicleta e dois copos de vinho no corpo. Menina tímida, solitária, bem arrumada. Ele puxou assunto e a conversa fluiu. Ele falava muito e ela ouvia bastante, adorou os assuntos loucos daquele rapaz louco naquele dia louco. Era uma quebra de rotina que quase todos esperam, aquele rapaz era diferente de tudo que ela conhecia. Bingo, “namoro”.
   Marcaram outro encontro e se encontraram várias vezes, até que a menina notou uma coisa: ele só usava camisas listradas.
   Rapaz diferente, com idéias diferentes, algumas eram geniais, interessantes, reflexivas, mas outros eram... um tanto... loucas, de verdade.
  Certo dia colocou na cabeça que queria ter uma marca, algo que o lembrasse, e resolve usar apenas camisas listradas. Pensou em usar roupas indianas, mas eram um tanto caras. Seus amigos lhe chamaram de “O rapaz da camisa listrada”. Pois bem, conseguiu o que queria, agora tinha uma marca; claro, vieram as brincadeiras. Deu sorte por não ser chamado de emo, mas as combinações geraram apelidos: Preto com marrom – homem abelha, Preto com branco – irmão metralha, etc. Não ligava pras brincadeiras, era do tipo: falem bem ou falem mal, mas falem de mim.
   A menina perguntou se ele tinha feito pacto, promessa ou algo do tipo, ele explicou o motivo, ela não entendeu e disse que era pra ele parar de usar listrado. No encontrou seguinte ela mandou ele escolher, ou usava listrado ou terminava o namoro, ele não levou a sério. No outro encontro ele apareceu novamente com camisa listrada, ela ficou furiosa, só então ele percebeu que ela falava sério. Ela deu o ultimato, ele disse que não pararia de usar, ela terminou o namoro.
  Ela adorava o rapaz, gostava de estar com ele, conversar com ele, mas não suportou aquela esquisitice. Entre tantas esquisitices dele, ela implicou com a menos importante. Teve outros namorados, mas nunca esqueceu o rapaz da camisa listrada.
   Tempos depois encontrou o rapaz por acaso, em cima da sua inseparável bicicleta. Ele vestia uma camisa azul. Ela logo perguntou o porquê ele não estava de listrado, ele disse que enjoou, assim como um dia enjoou de usar preto, e agora usava todo tipo de roupa.
  Seus olhos brilharam ao ver o rapaz, se arrependeu da bobeira que fez, mas já era tarde, não havia mais lugar pros dois, percebeu que perdeu uma grande paixão por conta de um capricho. 

   Às vezes coisas grandes passam por conta de coisas pequenas.

quarta-feira, 3 de março de 2010

O homem-urso

 



   Então, depois de tanta alegria – para alguns -, depois que os termômetros fingiram 40 graus nas ruas, disfarçando os 50, depois que tantos corpos fortes e bonitos – alguns carregando mente e alma vazias – se queimaram na praia, na piscina ou na laje, depois que os pássaros morrem de sede e os girassóis viraram piões, o verão mostra seu cartão de despedida. O homem-urso – meio homem, meio urso – lamenta o fim da festa. Em pouco mais de uma semana passou do calor intenso ao frio, e isso não fez bem ao homem-urso, levou um choque, a mudança repentina fez mal ao seu corpo e ao seu ânimo. O homem-urso virou urso e hibernou por três dias; sendo homem também, tinha Internet no fundo de sua caverna, manteve contato com o mundo, além de dar uma saidinha no segundo dia pra buscar seu “peixe” semanal, seu principal alimento, seu “peixe espiritual”.
   Todos os outros homens se diziam felizes com o fim do calor, mas o homem-urso não se enganou, percebeu como as ruas ficaram mais vazias, todos os homens – tubarão, cachorro, gavião, etc. – estavam em casa, exceto o homem-formiga, que precisa trabalhar sempre, e o homem-pavão, que com orgulho exibia o que sobrou das suas penas da moda do último inverno; alguns poucos homens se aventuraram pelas ruas, bem poucos.
   No quarto dia o frio recuou, tempo médio e céu cinza, pra ficar mais ou menos equilibrado. O homem-urso sacudiu o frio, alimentou o ânimo, sentiu fogo no espírito e voltou a viver, deixou a hibernação de lado e foi viver. Todos os homens voltaram pra rua, porque ainda resistia o sentimento de verão.

  Falta de inspiração ou de capacidade, ou os dois. Tenho usado sempre o clima pra escrever.
 

Recebi mais um selo, este é duplo - recebi o mesmo de duas pessoas -. Vou abedecer só a metada da regra, rs.
7 coisas que gostos:
Secos e Molhados
Raul Seixas
Darma Lovers
Chico Buarque
Cordel do Fogo Encantado
Zè Ramalho
Ventania

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O sino





   Meu presente pra ela: Um Sino. Sim, um sino. Pode parecer estranho, mas é o que mais sentido fez pra mim. .
   Pensei em dar uma flor. Ela poderia colocar a flor no cabelo, se olhar no espelho e iluminar a rua com a energia irradiante da sua alegria. Talvez, colocasse a flor ao lado da TV, assim não se perderia com tantas bobagens dos programas, a flor prenderia sua atenção; poderia ver e conversar com o elemental da flor, passaria horas escutando relatos do mundo mágico e teria na flor uma amiga a quem contaria todos os segredos. A flor também ficaria bem na cozinha, todos os alimentos seriam de uma grande graciosidade; com aroma especial, fariam leve o corpo de quem deles provasse. Quem sabe colocaria a flor no quarto para ter sonhos floridos, sonhar com campos imensos e leves, com pétalas dançando com o vento um tango de primeira qualidade, montanhas e lagos cristalinos; encontraria fadas indicando o lago especial, nele mergulharia sem se afogar, pois não seria preciso respirar; lá no fundo encontraria uma princesa sereia, de quem se tornaria irmã. A varada de seu lar receberia a flor com muito agrado, a mais nova flor a enfeitar a frente da casa, a encantar os gatos brincando no jardim e as crianças divertidas na rua.
   Mas flor é um presente tão comum, e uma flor causaria confusão. A beleza das duas poderia me confundir, não saberia quem é quem, e eu poderia ficar apaixonado pela flor. Seria estranho, um homem apaixonado por uma flor; a moça ficaria triste e passaria a odiar todas as flores, o mundo ficaria menos encantado. A flor poderia se tornar a atenção da casa, como um bebê recém-nascido, a moça seria a irmãzinha ciumenta, uma pequena desarmonia desnecessária. Flores morrem logo, a moça ficaria muito triste em perder seu presente maravilhoso. Pior seria se encantar tanto com a flor e se esquecer de mim, seria trágico.
   Pensei em dar bombons. Ela comeria imaginando a doçura de nossos beijos, a doçura de um passeio em um museu, a doçura de brincadeiras infantis e tantas outras doçuras. Dividiria os bombons com as amigas e conversariam coisas de mulheres, uma conversa animada. Imaginaria viver em uma casa de chocolate, em um vale místico, com seus filhos aprendendo a viver em comunhão com a natureza. Doce mesmo seria viver em uma praia no nordeste, com o doce forte sol o ano todo.
   Mas uma moça tão doce recebendo mais doce criaria um desequilíbrio, o mundo ficaria mais amargo; seria injusto tornar o mundo mais amargo para favorecer uma moça. E se a moça tivesse uma disfunção estomacal? Seria engraçado contar a história mais tarde em uma roda de amigos, mas seria arriscado. O pior de tudo, eu amo chocolate, eu comeria mais do que ela, não seria nada gentil.
   Pensei em dar um poema. Um punhado de versos sinceros poderia falar diretamente em sua alma e poderia entender que o sentimento é sincero. Moças gostam de poemas. Acharia lindas as palavras bonitas, as comparações e declarações e me acharia um gênio. Mostraria a toda a família o quanto ela é minha musa inspiradora. Colaria na porta do armário, na parede do quarto ou no fichário.
   Mas e se ela não gostasse do poema? Se reparasse nos erros de português e na falta de talento? Poderia entender errado alguma tentativa de um verso mais elaborado, poderia entender o poema como um “Adeus”, seria desastroso.
   Por isso o sino. Todo sino é um pouco religioso e faria o nosso amor sagrado. Alguns orientais usam o sino como forma de comunicação com Deus, como se fosse o telefone, de um lado a alma, do outro, o infinito. O sino pode fazer o místico mudar o estado consciência. No ocidente o sino é o lembrete, faz o homem lembrar que Deus existe – para aqueles que acreditam -. Coisa linda é sino de igreja tocando em cidade pequena, toda aquela gente chegando para missa, tantas senhoras cantando, um som que também encontra a alma. Uma cena magnífica.
   Ela guardaria o sino na mesa do computador, tocaria sempre que sentisse saudade, tocaria antes de sair pra me encontrar e antes de dormir, para sonhar comigo. Tocaria o sino no dia do nosso casamento, levaria o sino na nossa lua de mel, na Grécia. Seria o som do sino a avisar nossos filhos do almoço na mesa. O som que também alertaria nossos netos. O sino se perderia nas futuras gerações, e um de nós, novamente encarnado, acharia o sino em um velho baú de família, ouviria sua história, tocaria e se encantaria. O som tocaria na alma velhas lembranças, mesmo que o intelecto na soubesse.
   O nosso amor poderia não dar certo, mas ela guardaria o sino. No início iria chorar, mas como tudo passa, iria esquecer, e o sino acabaria em um baú. Certo dia, quando estivesse mudando de casa, sua filha acharia o sino e mostraria a ela, a moça tocaria e lembraria de mim, com carinho, e guardaria novamente. Seria o selo da nossa eterna amizade.
   De qualquer forma, o sino acabaria dentro de um baú, nas histórias, os baús são cheios de tesouros, e o nosso maior tesouro é a nossa alma, e a nossa alma é eterna. O sino nos ligaria eternamente. Pare sempre, almas companheiras.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Concurso de Poesias

O dia hoje veio leve, a paz que é bom sentir, aquela paz pós-chuva; o sol brilhou forte dentro de casa, trouxe vida. As nuvens vieram ocupar o lugar que, talvez, não seja delas - no verão, chuva e tempestade vem no fim da tarde, a manhã é do sol.
Entendo as nuvens, conviver com os humanos fez com que ficassem gananciosas; porém, não tiraram a força do sol e mim. Recebi um email avisando que fui selecionado pra final de um concurso de poesias. Não é lá grande coisa, só 17 participantes, mas fiquei feliz. O prêmio: um livro de poesias da coleção LPM Poket
Peço que quem gostar do poema, vote em mim. O endereço do blog pra votar está logo embaixo. O local de votar fica no lado esquerdo superior :)

http://marcelareinhardt.blogspot.com/2010/01/resultado-da-1-fase-do-concurso-de.html

Aqui o poema:

Do tempo
Não existe, mas tenho, curto tempo
Sei que não existe
Mas o rotina não acredita, e toma meu tempo
Deus não disse
O homem fez
Sol lá, Lua cá
Ainda que eu não conheça as leis da física
Entendo a relatividade do tempo
Ao mesmo tempo, curto e rápido
Podemos viajar no tempo
Espaço, astral, pensamento, físico...
Deus permite
Não o Deus tirano
Deus vento, ar, árvore, luz, sol, sentimento,...
É tempo de ter esperança
A velha e surrada esperança
Presente na metade dos poemas
A outra metade é desespero
É tempo de fazer do tempo o tempo que quiser
Do curto tempo, um longo tempo
O que nós fazemos, além de trilhar o tempo, atrás da falsa, ou verdadeira, felicidade?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O homem feliz e o infeliz.

Algumas pessoas nascem com sorte, outras com azar; algumas têm sucesso na vida, outras são fracassadas; algumas são felizes, outras apenas vivem, suportam. A sorte sorri para poucos, o azar, para muitos.

Fernando, um homem de sucesso, jornalista, casado, pais de três filhos; tem um ótimo salário, uma ótima casa, um belíssimo carro; quase sempre passa as férias na Europa, janta em restaurantes caros, passa os feriadões na sua casa de praia; a filha cursa medicina, um dos filhos cursa direito e o outro quer ser engenheiro. Fernando tem uma vida que muitos gostariam de ter, é respeitado, bem visto, é um homem feliz, um homem de sucesso.
Da janela do trabalho Fernando observava a bela paisagem – o sol, as montanhas, o bosque – quando o telefone tocou. Pensou ser a amante, esperava o telefonema dela, mas não era; para sua tristeza, era a esposa avisando o filho mais novo tinha sido pego mais uma vez com drogas na escola, e que desta vez seria expulso. A diretora tinha chamado a polícia e ele teria que ir à delegacia novamente, a segunda em duas semanas – na semana anterior foi tirar o filho do meio que se envolveu numa briga de gangue numa boate. Era complicado ter dois filhos homens problemáticos, a menina era a única que não dava dor de cabeça – isso na opinião da mulher do Fernando, pois ele achava o contrário, via na filha a maior vergonha da família. A filha mais velha era lésbica, morava com uma mulher, Fernando não matinha contato com ela, dizia que gostaria ter uma filha morta a ter uma aberração.
Fernando desceu rápido, no caminho para pegar o carro, esbarrou num lixeiro que trabalha no local. Respingou um pouco de sujeira no terno caríssimo de Fernando, que olhou com desdém para o lixeiro, falou um palavrão e continuou em direção ao carro. Quando ia saindo do local, xingou o trabalhador de pobre infeliz.
O pobre infeliz tinha um nome (apelido): Seu Zé
Seu Zé era um fracassado na vida. Trabalhava recolhendo lixo dos outros, morava numa favela, numa casa pequena que dividia com sua mulher e seus dois filhos. Pegava ônibus cheio e demorava uma hora para chegar no trabalho. Sua filha, a mais velha, trabalhava numa loja tirando xerox e estudava num pré-vestibular comunitário, ia tentar uma vaga no curso de pedagogia. O filho mais novo não sabia bem qual profissão seguir. Adora desenhar – o que fazia muito bem -, além de ser muito inteligente.
A casa de Seu Zé, apesar de simples, vivia em harmonia. Seu Zé quase não brigava com a esposa, se amavam como pouco acontece nos dias atuais; os filhos, apesar do trabalho que dá criar, respeitavam e seguiam os conselhos dos pais. Não se envolviam com drogas ou em brigas, apesar do ambiente propício. A diversão do Seu Zé era o futebol no final de semana, corria bem pra um homem de quarenta e oito anos; de vez em quando organizava um churrasco com os amigos, bebia um pouco, o suficiente pra não chegar bêbado em casa. Nas férias visita parentes no estado vizinho, nos feriados visitava parentes nas cidades vizinhas. Era sempre uma grande alegria rever os pais, irmãos, primos, sobrinhos, amigos, etc.
Pobre Zé! Um miserável, um nada na sociedade, só mais um entre tantos, um zero à esquerda! Nasceu no fracasso e morrerá no fracasso. Um homem infeliz!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Entre trovões e MPB

Teu fogo reflete a inocência do ser
Brincadeiras de quem está por viver
Teus risos indecisos, tão firmes que arredia
Recrutam esperança no fim do dia
A bobeira é simplesmente clichê
Como rebeldes com blusas do che
Caio nesta trama de dama
Te convido pra brincar na lama
Só não pare quando o trovão vir
Fugir de raios te fará curtir
Quando descansar à sombra de uma lona
Ao fundo uma música da Madonna
Pode ignorar no teu deitar
Mas fadas e duendes irão te contatar
No sonho lhe mostrarão um mundo belo
Com rios de leite e chocolates de martelo
Só você, criatura, que é única
Meu presente pra você: uma túnica
Pra proteger da chuva depois que banho tomar
Da janela faremos das nuvens um mar
E neste mar versos lançar
Fazer a magia por nós balançar
Você na batida do seu descobrir
Mundo maravilhoso irá se abrir

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Amor e Paixão ( tentativa frustrada de algo mais elaborado - tô aprendendo... rs)


   Há uma confusão na compreensão das pessoas sobre o que são o amor e a paixão. A maioria pensa que são a mesma coisa, mas são completamente diferentes. O amor é um sentimento nobre, verdadeiro, virtuoso, compreensivo, sábio, pacífico, etc. A paixão é um sentimento passageiro, cego, animal, muitas vezes doentio, violento, perigoso.
   Hoje a pessoa apaixonada diz que ama incondicionalmente, mata e morre pelo tal amor, daqui a algum tempo, mal se lembra da pessoa, tudo o que sentia perde a importância, muitas vezes dá lugar ao ódio. O amor é algo para a vida toda, é muito mais profundo, muito mais belo do que uma paixão passageira.
   Muitas vezes caímos no fascínio da mente, dos desejos, e acreditamos que amamos.
   Existe, também, a diferença entre o amor consciente e inconsciente, mas isso é assunto para outra hora.

   Era uma tarde fria do mês de julho, um tempo seco e frio, apropriado para quem gosta de exibir modelitos de inverno.
   Ângelo estava de férias em sua cidade natal - Curitiba. Já havia passado seis anos desde que tinha ido morar em Recife, e ainda estava acostumado com o frio, difícil era se adaptar ao calor do nordeste. A capacidade de adaptação vária de pessoa pra pessoa e também pra cada quesito: Língua, roupa, costumes, etc. Ângelo usava uma roupa leve, ao contrário de sua esposa, Maria, e seu filho, Gabriel, que usavam pesadas roupas de frio.
   Estavam comprando ingredientes pro almoço no mercadinho ao lado da casa dos pais de Ângelo. Saindo do mercadinho, Ângelo encontrou Tales, um velho amigo. Apresentou a esposa e o filho ao amigo. Conversaram um bom tempo, falaram sobre coisas do passado, do presente, planos do futuro; falaram da vida. Depois de meia-hora, cansada de esperar, a mãe de Ângelo, Leia, foi atrás das compras. No mesmo momento em que ela  interrompeu a conversa, uma moça alta e magra dobrou a esquina. Era Clara, ex-namorada de Ângelo. Clara olhou Ângelo nos olhos, observou a criança que era a cópia de Ângelo, olhou Ângelo mais uma vez e continuou andando, com um certo ódio no olhar.
   Só Tales e Ângelo perceberam a cena. Veio à memória de Ângelo toda a alegria e drama que viveu com Clara. Fantasmas do passado.

   Clara e Ângelo eram jovens; como todo jovem, tinham sonhos, muitos sonhos. Entre os sonhos estava o desejo de uma vida juntos; filhos, netos e tudo mais. Juras de amor eterno. No início tudo eram flores, tudo era maravilhoso, como se só aquilo bastasse para viver. Logo vieram as brigas, os ciúmes, as diferenças, as imperfeições, tudo o que não percebemos quando a paixão nos cega. Com o fim da paixão, se há uma dose de amor, amizade, cumplicidade, leva-se uma boa vida, senão, há muito sofrimento.
   A paixão de Ângelo, apesar de intensa, era curta, logo desencantou com Clara. Mas ainda levou o namoro por um bom tempo – talvez por apegou ou por medo da solidão. Já a paixão de Clara era mais intensa e longa. Totalmente ciumenta e possessiva, foi cada vez mais afastando Ângelo; quando este terminou o namoro, ela tentou se matar. Depois de idas e vindas, algumas outras tentativas de suicídio, Ângelo rompeu definitivamente com Clara, que inconformada, vendo em Ângelo sua única chance de felicidade, mergulhou no mundo das drogas.
   Ângelo encontrou uma outra pessoa, mudou de cidade, constituiu família, passou a ter novos ideais, nova visão de mundo; deixou Clara no passado. Clara continuou a pensar em Ângelo. Chorava, xingava, bebia, fala sempre do mesmo assunto com todo mundo.

   O encontrou reavivou as lembranças de Ângelo e reforçou o drama de Clara. Um misto de saudade, ódio e dor tomou conta de ambos. Logo Ângelo partiria e deixaria tudo aqui para trás. Clara, por outro lado, continuará vivendo o passado, remoendo velhos dramas.
  

Encomenda para JecaTatu

A inda que eu a fizesse sem inspiração
N ada valeria uma poesia sem razão?
A inda que pseudo-encantado pela JecaTatu
N ão haveria roda de dança de maracatu
D ar-te-ia, talvez, parcelas de gentileza
A ssim ficaria - sensível feliz - repousada em tua nobreza

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Auto-Conhecimento




Te advirto, seja tu quem fores!
Oh! Tu que desejas sondar os arcanos da natureza, que se não achas dentro de ti mesmo aquilo que buscas, tão pouco poderás achar fora.
Se tu ignoras as excelências de tua própria casa, como pretendes encontrar outras excelências?
Em ti está oculto o Tesouros dos tesouros.
Oh! Homem! Conhece a ti mesmo e conhecerás o universo e os Deuses…


Templo de Delfos, na Grécia

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ananda

Ananda, menina, mulher
Ananda dos seios fartos e sorriso fácil
Melões, ama-de-leite, riso de luz
Ananda palhaça, sem graça
Chata



Menina lerda, dirpersa, no mundo da lua
Lua dos sonhos, das bruxas

Ananda que nasce, que cresce, que vive
Ananda que vive sonhando na lua
Seus sonhos de bruxa mulher
Magnífica



Ananda bordada, aquela que marcelo cantou
Ananda de flor, de rosas, de verde, de mato e riacho
Aquela que tá por aí, que vi por aí



Ananda pequena, dos pequenos dramas, das pequenas alegrias
Do pequeno coração que abraça o mundo


Não é Márcia, nem Flávia ou Kátia



Ananda, tire o pijama e deite na cama
Não sonhe, não dorme, a estrela pode esperar
Me beije, me abrace, faça de tudo por mim


Ananda malandra, pilantra, ladrona
Vestido bordado, no boteco, na praia, no ar
Moça que olha
Um tom de vermelho que guarda pra si este doce sabor

Ananda que ama, que gera paixões e guarda pra si o doce sabor


Ananda de Santos e eu rezo por todos os santos
Ananda que é chata, palhaça
Ananda de luz



Ananda que engana e se engana
Você não é nada, não é de nada, te vejo e nada
Ananda que não percebe que é um espelho
Você é um reflexo, vejo um refexo de tua mana
A imagem daquela que ama, que engana, que encanta, que canta


Ananda sacana, não chora, só ri e despreza
Ananda tristonha, de sampa, do ar, do mato, da lua
Aquela que vive, que fala, de quem não sei nada

domingo, 3 de janeiro de 2010

Alice e o plano das possibilidades maravilhosas.

  Do ponto mais alto da cidade ela observava. Era noite, Alice olhava tudo com grande atenção, aquela grande e velha cidade; de noite parecia um enorme labirinto, sujo e escuro. Mas era tão fascinante, estar ali era algo único. Olhou os becos quase vazios, as pessoas dormindo em suas camas, algumas com a tv ligada, alguns crimes, coisas comuns.
  Alice olhou pro alto, fez uma oração, desejou e começou a subir. Flutuava como uma pena, só que subindo. A cidade foi ficando cada vez mais pequena, cada vez mais distante, até sumir. Agora tudo era azul, em cima, em baixo, dos lados. Subiu cada vez mais, até que chegou num ponto que parecia ser o limite da terra. Mais uma vez olhou pro alto, não viu estrelas e nem naves, só um escuro pronfundo e belo. Olhou o horizonte, viu o sol, na mesma altura, como nunca tinha visto, é bem diferente vê-lo numa praia, ali pareceia ter mais vida e mais sentido, parecia sorrir, como se quisesse encantar e contar segredos divinos.
  Aquilo tudo era belíssimo, Alice estava maravilhada com aquilo que estava vivendo, sabia que era privilegiada, a maior parte das pessoas não podia viver aquilo, mas ela estava ali, no céu, vivendo algo magnífico, com seu corpo leve, suave, cheio de boas energias.
   Começou a descer, em queda livre, um forte vento no rosto. Apesar de saber que nada de grave iria acontecer, sentiu um certo medo, mas estava gostando, era um mergulho num céu azul e limpo, nenhuma aventura radical se comparava àquilo. Foi descendo até voltar ao ponto mais alto da cidade.
   Foi uma das melhores experiência que Alice lembra ter tido nesta vida, não foi a primeira e nem a última, mas foi especial, sentiu algo especial, uma presença marcante no coração. A oração trouxe algo especial, como se um anjo estivesse ali, fazendo sentir forte a sua presença.
  Ainda não era o fim, naquele lugar, naqueles becos, Alice viveu outras experiências, não tão boas. Nem só de belezas essas experiências são feitas, mas isto é algo pra se contado numa outra oportunidade.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

As ilusões dos pensamentos e a beleza da realidade.



   Quem precisa de chuva pra inspiração, precisa do verão. A chuva de inverno é fraca e rara, no verão há tempestades, possibilidades de boas metáforas, melhores emoções, mais intensas; a força da tempestade deixa tudo mais profundo.
   Depois de passar a manhã e parte da tarde na casa de um amigo, Mauro resolveu ver o a mar, sentir a energia que dele emana. Sentou-se na calçada, observou o mar, o sol, as pessoas. Entendia que para aproveitar aquilo tudo deveria estar presente, ter consciência o tempo de todo de quem era, de onde estava, porquê estava ali; precisava estar atento a tudo que estava fora e dentro. Enquanto durou, foi maravilhoso, pode aproveitar cada raio de sol em seu rosto, cada rajada de vento em seus pêlos, cada beleza que passava em sua frente. Entretanto, nossa vontade é fraca, nossa consciência é frágil, basta um fato qualquer e os pensamentos tomam conta.
   Um carro passou e levou Mauro junto. A música que tocava fez com que pensasse numa mulher que gostava, nos momentos que passou com ela, o medo que teve de se declarar, pensou como seria se o tivesse feito, nos beijos, nos abraços; a lembrança dessa mulher o levou a um sítio, um final de semana com os amigos, a possibilidade de um novo encontro, desta vez namorando a tal mulher; a lembraça do sítio o levou a um show que marcou com os amigos no dia seguinte ao sítio, mas não pode ir. A mente nunca pára de trabalhar, foram várias lembranças, desejos, projeções, alegrias, frustrações, pensamentos, etc.
   O céu escuro ainda de dia, ondas batendo, o vento soprando forte, pingos caindo aos poucos e a chuva se fez presente. Mauro nem percebeu os primeiros pingos, os passos apressados das pessoas  fugindo da chuva trouxeram a mente de Mauro de volta. Olhou o céu escuro, as praia vazia, um outro cenário. Enquanto sua mente vivia na ilusão, ele perdeu toda a beleza real que estava em sua volta. Perdeu o Sol passeando no céu, o barulho das ondas, as meninas que passavam ali - uma, inclusice,  o encarou por um bom tempo -, as nuvens negras chegando, os trovões - belos são os trovões, parecem cantar exclusivamente pra alma -, tudo porque o pensamento estava longe, sua alma não estava presente.
   Pôde, ainda, perceber um pouco de tudo aquilo; viu a chuva aumentar, alguns saindo da praia correndo, as meninas molhadas. Sentiu cada pingo caindo. Ficou sentado por um tempo, queria aproveitar um pouco o que a mente havia lhe roubado: toda a beleza de estar ali.
   Levantou-se e foi embora. A chuva e o mar renovam as energias. Estava feliz.

(Queila Maria e Rui Felipe )

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A chuva e o encontro da felicidade

    Era um dia típico de verão no Rio de Janeiro; sol forte e anúncio de tempestade. É interessante como duas maravilhas do tempo ficam lado a lado; de um lado o sol queimando com força, do outro, nuvens negras, trovões e a tão maravilhosa chuva chegando, junto com a ela a promessa de alma lavada.
   Karla estava sentada na areia, olhando o horizonte, olhando o mar. Em suas viagens fez uma analogia entre o mar e a alma. Podemos pegar um barco e navegar por todos os oceanos, mares, lagos e rios, ainda assim, existira mistério no fundo de cada lugar, na beira, em volta. Ela poderia se conhecer, se analisar, se estudar, mas ainda assim, existiram coisas que não poderia conhecer sem os equipamentos certos, como se não pudesse conhecer o fundo do oceano, seus seres, encantos, magias e vida.
   Ela andava triste, nenhum motivo aparente, só um vazio que todos carregamos. Preenchemos este vazio de várias formas: Ideologias, sonhos, lutas, pensamentos, etc. Pode ser o futebol, a moda, a música, a religião, a bebida, drogas, etc. Em alguns estas coisas não são suficiente, o vazio continua; e isso é bom, nos dá o indício de que devemos procurar algo superior.
   O sol ia perdendo espaço pras nuvens, e Karla observava aquilo com brilho nos olhos. A chuva eminente dessipava a tristeza, o vento ero o encarregado de levar pra longe, a tempestade trazia consigo boas energias.
  Cairam os primeiros pingos, fortes, como que querendo fixar vibrações novas na alma de Karla. Fechou os olhos, abriu os braços, sentiu o vento, sentiu-se no céu; talvez estivesse, o mundo é algo surpreendente.            Correu até a sua bicicleta, colocou o fone e pedalou. Pedalava pela rua como uma criança feliz, ouvia uma música linda, uma letra linda, uma melodia linda; ela não sabia explicar o que acontecia, mas era algo profundo. A pessoas olham aquela louca passar, sorrido de forma estranha, cantando alto; todos se abrigaram em algum lugar coberto, mas ela queria era se molhar, nada mais importava.
   A chuva cumpriu sua promessa, a alma estava lavada. Era uma felicidade que nunca havia sentido antes. Não tinha encontrado o homem dos sonhos, não tinha ganho na loteria, não conseguiu um bom emprego, não tinha comprado ingresso pra sua banda favorita que iria tocar no Brasil pela primeira vez, não tinha passado no vestibular, apenas estava tomando banho de chuva.
  Chegou em casa em estado de êxtase. Não ligou pra bronca que levou da mãe, até concordou; não se importou com a implicância do irmão mais novo, até achou bonitinho. Deu um beijo em cada um e foi pro quarto, colocou uma música new age e deitou na cama. Pensou no momento que tinha acabado de viver, como algo tão simples a fez sentir uma alegria sem tamanho; começou a repensar o conceito de felicidade.
   Anoiteceu. Karla queria ver a lua, mas está se escondeu atrás das  nuvens, queria que Karla as visse e lembrasse da tarde maravilhosa. Mas a lua não se escondeu por muito tempo, também queria ver de frente o estado mágico que ainda restava na alma de Karla. Aquela lua linda e brilhante iluminou todo o quarto, deu mais sentido à música baixa, e fez Karla pensar. O vazio novamente se fez presente, ela sabia que nunhum dos itens acima citados a fariam feliz como esteve naquele dia, e quis descobrir como sentir aquilo novamente.
   Acordou com os pássaros cantando, o sol brilhando no chão, um vento leve e um sorriso calmo no rosto. Percebeu que a felicidade está além das coisas deste mundo, que toda alegria conseguida aqui não é maior do que a felicidade na alma. Decidiu buscar esta felicidade, não sabia aonde, mais iria encontrar um mode de tê-la de forma permanente. Começava ali a maior e mais importante busca das vidas de Karla, agora ela buscava o cosmo, buscava se fundir com o universo, busca a verdadeira paz eterna, buscava a paz interna, buscava voltar ao seio da mãe natureza.

sábado, 28 de novembro de 2009

Perco memória

dizem por aí que não ando bem
 queimei o arroz
 passei do ponto
 perdi a hora
 perco tudo, às vezes parece que perco a memória
bate uma brisa e leva tudo
esqueço do arroz
da dor e do amor
e deixo pra depois
esqueço que não ando bem
e fico feliz

( Queila e Rui )

a luta do guerreiro / corpo x alma

Uma alma despejada procura um novo lar
Em campo aberto, somos vulneráveis
Qualquer canhão, qualquer flecha é letal
Ferido, o esnobe torna-se humilde

Eis aqui o guerreiro. Imprudente, imperito

Derrotado, humilde e sobras de orgulho
Contradições de estruturas complexas
Finge não ter dor,  não ter ferimento

Não é ator, é confuso
Confusão que compromete atos
E transparece as intenções
Confuso, o guerreiro não sabe se se entrega ou se foge
aí trava-se outra batalha:
o corpo e a alma

corpo cansado, quer cair e sentir
alma cansada, quer fugir e transcender

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O fim de uma raça.

   Passou um tempo desde a última catástrofe. Havia cicatrizes na alma das pessoas, mas a vida continua, mesmo que alguns insistam em sentir o passado - por alegria ou tristeza - o tempo segue em frente. Era um mundo novo; novas terra, novas potências, nova economia, novas religões, ciência, conceitos e filosofias - claro, tudo com resquício do antigo, nada de totalmente novo surge, sempre há uma mistura com o passado. Enfim, novos paradigmas, novo modo de viver.
  Ana estava observando o céu, um céu com azul fosco, em nada lembra o azul vivo que lera nos livros; imaginou como seria. Lembrou de um livro do ano de 1997 no qual a autora dizia ter lembranças de outras vidas, e que o céu de sua época era morto, em nada lembrava o azul pulsante de suas vidas passadas. Ana imaginou como seria o céu em 1997, se era como via nas fotos ou se seria mais real, mais emocionante. Depois da grande noite o céu perdeu muito de sua vida; três dias de noite contínua alterou a estrutura da terra e das pessoas. Ana era nova mas lembrava; desespro, suicído em massa, muitas orações; dias dificeis.

   Já tinha observado o suficente. Hora de ir trabalhar. Usou mais uma vez seu cilindro de oxigênio, vestiu a máscara e saiu de casa. O ar era muito poluído. O homem não souber preservar a terra que se tornou um lugar muito difícil de se viver.
   Andando pela rua Ana percebeu algumas pessoas olhando para o alto, virou-se para olhar e ficou surpresa. Havia algo brilhando, como um segundo sol. Ficou com medo do que iria acontecer dessa vez. Muitas catástrofres e acontecimentos estranhos ocorreram ao longo do século. Lembrou de uma música antiga que dizia assim: "quando o segundo sol chegar...". Certa vez leu a história da composição da música. O autor tinha uma amiga esotérica que disse que um dia um segundo sol surgiria no céu; no início ele ironizou e disse:

- Como assim? Mas a Nasa e os governos não disseram nada.

Depois repensou a questão e fez a música, em respeito a crença de sua amiga.

   Não demorou e todas as pessoas foram pra rua ver o que estava acontecendo. Alguns tinham a esperança de ser um novo começo, outros com o medo de ser o fim. O governo pedia calma nos meios de comunicação, mas pouco adiantava.
   Uma mulher se aproximou de Ana e disse:
- É o fim, agora falta pouco. Este é o tal planeta X que muitos falaram, deram diversos nomes, e hoje se faz visível. É este. Enfim, chega o fim de mais uma raça. No futuro nossa humanidade será só uma lenda. A história de um povo que foi destruído por ter ser tornado tão perverso, assim como a Atlântida. Não há muito tempo, não há o que fazer.

   Ana olhou aquela mulher, pensou em suas palavras, refletiu. Talvez aquilo fosse o melhor, talvez fosse preciso para poder surgir uma nova humanidade. Para o novo nascer é preciso o velhor morrer.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Vidas

  Marcelo, 22 anos, 1,80 de altura, pele clara, cabelo loiro, curto, magro, boa aparência. Era uma pessoa complicada, não trabalhava, não estudava. Vivia a reclamar da vida, sempre procurando alguém pra chorar seus lamentos; reclama da vida, da família, da falta de emprego, das desilusões amorosas. Andava sempre em rodas de samba, levava consigo um violão e uns trocados pra bebida. Era uma pessoa muito depressiva, às vezes falava em se matar. Curiosamente, seus amigos eram esperançosos, viam sempre o lado bom da vida, e era estranho como Marcelo convivia com eles, já que as pessoas se atraem por vibrações. Vai ver era um forma de seus amigos fazerem algo por Deus, ajudando ao próximo de alguma forma.
  Certa noite, de poucas bebidas, nenhuma mulher e muita depressão, Marcelo resolveu se matar, como já havia pensado outras vezes, mas dessa vez a vontade ganhou força.
  Temos vontades más em nós que se manifestam de forma sutíl, é aquela vozinha na cabeça, aquele sentimento estranho, a vontade de matar alguém, a vontade de não viver. Por vezes, a vontade ganha força e terminamos fazendo algo do qual nos arrependemos, e às vezes não tem vota. Quantos são os casos de pessoas que agrediram e até matram alguém num momento de fúria, e depois se arrependeram, profundamente?
   Marcelo conseguiu uma arma e se matou. Remoeu-se em seus dramas, seus problemas que não eram problemas, seus complexos, suas frustrações. Colocou a culpa na sociedade, em Deus, etc. Chorou e clamou inocência, sentiu-se vítima do mundo.

   Antônio tinha uma banda de rock, uma namorada que amava, fazia faculdade e tinha um ótimo estágio. Foi um adolescente complicado; problemas com a família, com a bebida, com depressão, mas as coisas mudaram, tudo estava dando certo. Estava com muita vontade de viver, tinha esperança na vida. Gostava muito dos seus amigos, todas estavam sempre com o astral pra cima e isso fazia bem pra ele.
   Antônio saia tarde da faculdade e numa dessas noites foi surpreendido por um tiroteio, uma bala acertou sua cabeça.
  Antônio, 22 anos, 1,80 de altura, pele clara, cabelo loiro, longo, magro, boa aparência. Gostava de viver, tinha muitos planos, mas o curso de sua vida foi interrompido.


  Há que diga que a vida é um acaso, outros acreditam que tudo tem motivo. Uns vão dizer que a culpa foi do tráfico, da polícia, da sociedade, etc. Outos vão dizer que tinha que acontecer, era seu destino, seu karma.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009


Ganhei mais um selo [:)]
Mas dessa vez, irei quebrar as regras rs
Acho que ando meio... sei não
pra pode indicar alguém rsrsrs
mas vale o selo
obrigadooooo